O PSD chega às eleições de 2026 na melhor posição de sua história: maior número de prefeitos, mais governadores do que qualquer outro partido e bancadas crescentes no Congresso.
Fundado em 2011 e comandado por Gilberto Kassab, o partido se consolidou como força de centro ao longo de 15 anos, preenchendo o espaço deixado pelo MDB e PSDB no espectro político.
Agora, a legenda tenta viabilizar uma terceira via contra a polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com a definição do candidato presidencial prevista para até 25 de março.
O PSD percorreu um caminho incomum em 15 anos de existência. Primeiro partido a declarar apoio à reeleição de Dilma Rousseff, também votou pelo seu impeachment em 2016. Integrou os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro e hoje ocupa três ministérios na Esplanada — enquanto Kassab acumula, simultaneamente, o cargo de secretário de governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo.
Domínio nas urnas e no Congresso
Nas eleições municipais de 2024, o PSD elegeu 891 prefeitos — o maior número entre todos os partidos. Com filiações recentes, a legenda também lidera no número de governadores: Ratinho Junior (PR), Raquel Lyra (PE), Fábio Mitidieri (SE), Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Marcos Rocha (RO).
Na Câmara, a trajetória é ascendente: de 35 deputados em 2018 para 42 em 2022, chegando hoje a 47 parlamentares. A bancada garante ao partido a indicação de um ministro na Esplanada — posto ocupado por André de Paula, titular da pasta de Pesca e Aquicultura.
No Senado, o PSD iniciou 2023 como o maior partido, com 15 membros. Atualmente tem 14 senadores e ocupa a segunda maior bancada, atrás apenas do PL.
A escolha do candidato presidencial foi acelerada em relação ao calendário original. O prazo havia sido antecipado após pressão dos três pré-candidatos por uma definição mais rápida do que o previsto para meados de abril — e o anúncio agora deve ocorrer até o dia 25 de março.
O que distingue o PSD dos demais partidos de centro é a liberdade concedida aos diretórios estaduais para fechar alianças sem vínculos ideológicos. A lógica é ampliar bancadas e, com isso, o poder de negociação na próxima legislatura — posicionando o partido como central na governabilidade do próximo presidente, mesmo que a candidatura própria não vença.
Os exemplos são ilustrativos: o partido apoia Eduardo Paes como candidato ao governo do Rio, deu aval à chapa petista na Bahia e, em Minas Gerais, trocou o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco pelo vice-governador Matheus Simões, candidato à sucessão de Romeu Zema.
Terceira via sob pressão da polarização
Pesquisa Quaest divulgada em 11 de março mostra Lula e Flávio Bolsonaro numericamente empatados, com 41% das intenções de voto cada no cenário de segundo turno — a primeira vez na série histórica que os dois chegam ao mesmo patamar.
A tendência interna aponta Ratinho Junior como o mais provável escolhido para encabeçar a disputa. Eduardo Leite, um dos concorrentes na disputa interna, tem argumentado que o índice de rejeição aos líderes das pesquisas é mais determinante para a viabilidade da terceira via do que os números atuais de intenção de voto.
“Além desse vácuo que o PSD ocupou no centro político, tem uma certa habilidade do Gilberto Kassab em fazer mapeamentos regionais e atrair quadros insatisfeitos em suas legendas”, avalia o cientista político da UnB Murilo Medeiros. Segundo ele, o declínio do União Brasil e do PP por disputas regionais abriu espaço para o recrutamento de novos nomes.
