O barril de petróleo Brent recuou nesta sexta-feira (20) após declarações de autoridades americanas que acenam com ampliação da oferta global — incluindo a possível suspensão de sanções ao petróleo iraniano.
O contrato de referência chegou a bater US$ 119 na quinta-feira, impulsionado por ataques iranianos a instalações de energia no Oriente Médio. Nesta sexta, caiu para cerca de US$ 107 ao longo do dia e fechou em alta de 1,18%, a US$ 108,65.
O que motivou a queda
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que os EUA estudam retirar sanções ao petróleo iraniano e liberar volumes adicionais de reservas estratégicas. O secretário de Energia, Chris Wright, reforçou a perspectiva: com a suspensão das sanções, o combustível poderia chegar aos portos asiáticos em três a quatro dias, ampliando rapidamente a oferta no mercado.
Donald Trump descartou o envio de tropas terrestres ao Oriente Médio e voltou a afirmar que o conflito pode terminar em breve. Não é a primeira vez que uma declaração de Trump move o mercado de petróleo: em 9 de março, o barril chegou a US$ 119 de madrugada e despencou para US$ 88 à tarde após o presidente afirmar que o conflito estava “praticamente concluído”.
Um comunicado conjunto de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão indicando apoio à segurança da navegação no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente — também contribuiu para o alívio dos preços. O gesto é lido como resposta às críticas do secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, que chamou aliados europeus de “ingratos” na véspera. O documento, porém, não detalha como será a atuação concreta no estreito, mantendo incertezas sobre o abastecimento global.
O gatilho da escalada
A disparada de quinta-feira foi desencadeada quando o Irã atingiu instalações de produção de combustíveis em diferentes pontos do Oriente Médio — resposta ao ataque de Israel a South Pars, o maior campo de gás natural do mundo. Na semana passada, o Brent já havia escalado a US$ 105 enquanto o Estreito de Ormuz permanecia bloqueado e os países da AIE anunciavam a liberação recorde de 400 milhões de barris de reservas estratégicas — medida que, mesmo assim, não foi suficiente para conter a alta.
Impacto no Brasil
O preço do diesel no Brasil disparou cerca de 25% desde o início da guerra no Oriente Médio, chegando a uma média de R$ 7,22, segundo levantamento da TruckPag com dados de milhares de postos. O combustível importado representa cerca de 30% do consumo nacional, e a alta já pressiona a cadeia logística — do transporte de cargas ao preço final de alimentos.
Especialistas apontam que os efeitos na inflação devem começar a aparecer nas próximas semanas. Mesmo com medidas do governo, como redução de tributos e subsídios, o repasse ainda não chegou às bombas. A tendência do diesel segue atrelada à evolução do conflito e ao risco de novas interrupções no fornecimento global.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) pediu que a Petrobras aumente a oferta de combustíveis e reforçou o monitoramento de estoques, importações e preços, afirmando não haver risco de desabastecimento no país.
Medidas globais de contenção
A Agência Internacional de Energia (IEA) recomendou ações para reduzir o consumo de combustíveis, como incentivo ao trabalho remoto e menor uso de transporte aéreo. Os 32 países-membros acordaram, em 11 de março, a liberação de 400 milhões de barris de reservas de emergência — a maior da história da entidade, superando os 182,7 milhões liberados após a invasão da Ucrânia em 2022. Quando a guerra eclodiu, o Brent saiu de US$ 72 e se aproximou de US$ 120 em questão de dias, arrastando bolsas do mundo inteiro — o ponto de partida de uma crise energética que ainda pressiona os preços globais.
No plano local, o Vietnã passou a estimular o uso de gasolina com etanol, enquanto a Espanha anunciou corte de impostos sobre combustíveis.
