Fernando Haddad encerrou nesta quinta-feira (19) sua gestão à frente do Ministério da Fazenda. O presidente Lula anunciou como substituto o então número 2 da pasta, Dario Durigan, que ocupava o posto de secretario-executivo. Horas depois, o PT confirmou que Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo.
Nos pouco mais de três anos em que comandou a Fazenda, o ministro viu a dívida pública subir 7 pontos percentuais — está em quase 79% do PIB. Mas também deixou inflação dentro do teto da meta, desemprego na menor taxa da série histórica e recorde na renda média do brasileiro.
Vitórias e derrotas na Faria Lima
O balanço da gestão registra vitórias e derrotas. Haddad ganhou a pecha de ser um ministro que aumentou excessivamente os impostos. A dívida pública, que estava em cerca de 72% do PIB quando assumiu, chegou a quase 79%.
Porém, os índices macroeconômicos mostram resultados positivos. A inflação ficou dentro do teto da meta, o desemprego recuou para a menor taxa da série histórica e o PIB cresceu acima das expectativas em todos os anos.
Reformas aprovadas
Haddad conseguiu viabilizar a aprovação de pautas importantes, como o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
A aprovação do arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos, foi uma das principais conquistas do ministro. A reforma tributária simplificou o sistema tributário brasileiro, unificando impostos federais, estaduais e municipais.
Próximo desafio: São Paulo
Com a saída da Fazenda, Haddad agora se prepara para a disputa eleitoral. Ele será o candidato do PT ao governo de São Paulo, enfrentando o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A confirmação da candidatura ocorreu após semanas de especulação. Haddad havia resistido aos apelos iniciais de Lula para deixar o ministério, mas acabou cedendo à pressão política.
As pesquisas de intenção de voto foram determinantes para a decisão. Dados do Datafolha mostravam Haddad em condições competitivas contra Tarcísio, o que motivou a ida do ministro para a disputa estadual.