O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou especuladores pela alta dos combustíveis no Brasil em declaração feita nesta quarta-feira (18).
Em cerimônia do Prêmio Mulheres das Águas, Lula atribuiu a escalada global do petróleo aos ataques de Donald Trump ao Irã — e questionou por que um país autossuficiente em produção deveria repassar esse custo ao consumidor.
“Por que o álcool aumentou? Por que a gasolina aumentou se somos autossuficientes? Porque está cheio de gente que gosta de tirar proveito da desgraça”, disse o presidente.
Petróleo quase dobra com conflito no Irã
O barril de petróleo saltou de R$ 65 para R$ 120 após a escalada dos conflitos envolvendo o Irã, segundo Lula. O governo tomou medidas para conter os efeitos internos — incluindo a isenção de impostos sobre combustíveis anunciada na semana passada —, mas o presidente afirmou que parte do mercado aproveitou a instabilidade para praticar reajustes sem justificativa.
O barril já havia superado US$ 100 pela primeira vez desde 2022 antes das declarações de Lula, e analistas alertavam que reajustes maiores chegariam aos postos caso o conflito se prolongasse.
Lula também apontou uma consequência geopolítica inesperada: com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo, os Estados Unidos flexibilizaram sanções ao combustível russo para conter a crise de abastecimento. A liberação do petróleo russo havia sido sinalizada por Trump dias antes como uma das saídas para estabilizar os preços globais.
“Sabem quem está ganhando? A Rússia que estava bloqueada. O Trump liberou o petróleo da Rússia. Pode comprar agora”, declarou o presidente.
Ação contra distribuidoras e postos
Além da isenção tributária, a Advocacia-Geral da União (AGU) avalia entrar com ação judicial por danos morais e materiais coletivos contra distribuidoras e postos de combustíveis, sob o argumento de que os reajustes praticados seriam abusivos e sem respaldo no mercado.
Crítica ao Conselho de Segurança da ONU
Lula também usou o espaço da cerimônia para atacar os membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas — Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia — por, na sua avaliação, financiarem guerras em vez de buscarem soluções diplomáticas para os conflitos em curso.
“Decidiram que são donos do mundo e resolveram atacar o que quiserem. E o prejuízo está vitimizando quem? Os trabalhadores e os mais pobres, porque toda desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas de quem não tem nada a ver com isso”, afirmou.
Não é a primeira vez que o presidente faz esse tipo de crítica. Duas semanas antes, Lula já havia cobrado os membros permanentes do Conselho pela preferência em financiar guerras em vez de combater a fome mundial.
Lula defende uma reformulação do órgão para que reflita o mundo contemporâneo. Seu argumento é que a estrutura concentrada nas grandes potências, definida no pós-Segunda Guerra Mundial, dificulta avanços diplomáticos e contribui para a perpetuação de conflitos ao redor do globo.
