O petróleo Brent chegou a US$ 115,10 por barril nesta quinta-feira (19) — o maior patamar desde 9 de março — após o Irã lançar ataques contra instalações energéticas no Catar, na Arábia Saudita e no Kuwait.
A retaliação iraniana veio em resposta ao ataque israelense ao campo de gás de South Pars, a maior reserva de gás natural do mundo, compartilhada entre Irã e Catar no Golfo Pérsico.
Às 7h52 (horário de Brasília), o Brent subia 6,58%, para US$ 114,45 por barril. O WTI americano avançava 1,05%, a US$ 96,46, após tocar US$ 100 durante a sessão.
Alvos dos ataques iranianos
A QatarEnergy informou que mísseis iranianos atingiram Ras Laffan, principal centro de processamento de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, causando “danos extensos” à estrutura.
Na Arábia Saudita, Riad afirmou ter interceptado quatro mísseis balísticos lançados contra a capital e frustrado um ataque com drones a uma instalação de gás. A refinaria SAMREF, da Saudi Aramco, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, também foi alvo de ataque aéreo nesta quinta.
No Kuwait, a Kuwait Petroleum Corporation informou que uma unidade da refinaria Mina al-Ahmadi foi atingida por drone, provocando incêndio de pequena proporção.
Escalada diplomática
Antes dos ataques, o Irã havia emitido alertas para retirada de pessoal de instalações energéticas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar — sinalizando que uma resposta às ofensivas contra suas estruturas em South Pars e Asaluyeh estava em curso.
O presidente Donald Trump confirmou que Israel realizou o ataque a South Pars sem envolvimento de Washington ou Doha, e alertou que qualquer avanço iraniano sobre o Catar implicaria resposta militar americana.
Na quarta-feira (18), o Federal Reserve manteve os juros inalterados, mas projetou inflação mais alta diante dos impactos econômicos do conflito. Na segunda-feira, o Brent havia chegado a US$ 105 com a guerra em sua terceira semana — o salto para US$ 115 nesta quinta representa nova escalada após os ataques iranianos a múltiplas instalações regionais.
O WTI americano tem sido negociado com o maior desconto em relação ao Brent em 11 anos. O diferencial reflete a liberação de reservas estratégicas pelo governo dos EUA e custos mais elevados de transporte, fatores que isolam parcialmente o mercado doméstico americano da alta global.
A Reuters informou que o governo Trump avalia enviar milhares de soldados para o Oriente Médio, reforçando a presença militar americana diante dos desdobramentos do conflito com o Irã.
A volatilidade não é novidade: há dez dias, o WTI chegou a disparar 30% em uma única sessão, atingindo US$ 119, antes de desabar após Trump declarar que o conflito estava praticamente concluído — declaração que os mercados parecem ignorar diante da nova escalada.
South Pars é a parte iraniana do maior campo de gás natural do mundo, compartilhado com o Catar no Golfo Pérsico. Seu ataque por Israel reconfigurou o cenário regional e elevou o risco de perturbação no fornecimento de energia ao nível mais crítico desde o início do conflito.
