Ministros do Supremo Tribunal Federal articulam, nos bastidores, a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação ganhou força após novos problemas de saúde registrados desde a prisão.
A avaliação dentro do tribunal é que um eventual agravamento da situação de Bolsonaro pode ampliar o desgaste da Corte. A pressão tomou forma depois de uma reunião, na terça-feira (17), entre Flávio Bolsonaro, o advogado Paulo Bueno e o ministro Alexandre de Moraes.
Pressão nos bastidores do tribunal
Após o encontro desta semana, ministros ouvidos reforçaram que Moraes deveria conceder a prisão domiciliar como forma de reduzir a tensão política em torno do caso. O raciocínio é que manter Bolsonaro detido em condições de saúde deterioradas cria um ônus crescente para a imagem do STF.
Na reunião de terça-feira, Flávio e Paulo Bueno apresentaram a Moraes um novo requerimento formal, baseado em laudo médico atualizado que aponta risco de novos episódios graves. O documento busca reverter a posição do relator, que vinha mantendo o ex-presidente no regime fechado.
O histórico recente, porém, mostra resistência. Em 9 de março, Moraes já havia rejeitado pedido semelhante com base em laudo da PF que registrou 144 atendimentos médicos em 39 dias de detenção — argumento utilizado para afastar a tese de risco à saúde do preso.
Turma referendou prisão dias antes
O cenário se torna mais revelador diante do histórico recente. Menos de dez dias antes da movimentação nos bastidores, Moraes e o ministro Flávio Dino votaram para manter Bolsonaro preso na Papudinha, referendando a prisão preventiva em plenário.
A mudança de tom nos corredores do tribunal indica que as condições médicas passaram a ser avaliadas como uma variável política, não apenas jurídica. Se a situação se agravar sem alteração no regime, a Corte pode enfrentar críticas por manter detido alguém em estado de saúde fragilizado.
A decisão final permanece nas mãos de Moraes, relator do caso. Não há prazo definido para nova deliberação sobre o pedido de domiciliar.