O Banco Central inicia nesta quarta-feira (18) o primeiro ciclo de queda da Selic em quase dois anos. O Copom deve cortar a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano — uma redução de 0,25 ponto percentual.
O corte menor do que o esperado tem um nome: guerra no Oriente Médio. O conflito levou o barril de petróleo de US$ 72 para mais de US$ 100 e pressionou as projeções de inflação para 2026, forçando o mercado a adotar uma postura mais cautelosa.
Petróleo além de US$ 100 reescreve as projeções
Sem o fator guerra, os economistas do mercado financeiro projetavam um corte mais agressivo nesta reunião: 0,5 ponto percentual, levando a Selic a 14,5% ao ano. A escalada do conflito no Oriente Médio alterou esse cálculo rapidamente.
O barril, que estava em US$ 72 antes do conflito, ultrapassou US$ 100 com a guerra — e a expectativa para o IPCA de 2026 subiu de 3,91% para 4,10% no boletim Focus, movimento que o Tropiquim havia acompanhado ao noticiar que a revisão do mercado já estava em curso dias antes da reunião do Copom.
O Itaú foi um dos bancos que revisaram suas projeções. A instituição passou a estimar uma queda menor dos juros “em meio à incerteza mais elevada e a um balanço de riscos menos favorável, associado à alta relevante nos preços do petróleo”.
Na mesma direção, a equipe de macroeconomia do ASA reduziu de 0,5 para 0,25 ponto sua projeção de corte, sinalizando um “início de ciclo de flexibilização mais cauteloso”. No Brasil, a alta do barril já pressiona os preços dos combustíveis — mesmo sem reajuste formal anunciado pela Petrobras.
Queda dos juros deve continuar apesar da incerteza
Apesar do cenário mais nebuloso, os economistas do mercado financeiro mantêm a projeção de queda contínua da Selic ao longo de 2026. A expectativa é que a taxa chegue a 12,25% ao ano até o fim do ano — o que representaria uma redução total de 2,75 pontos percentuais a partir do nível atual de 15%.
O contexto, porém, é desafiador. O PIB brasileiro cresceu apenas 2,3% em 2025 — o pior resultado desde a pandemia, freado pela própria Selic a 15% —, e a guerra no Oriente Médio chegou para adicionar nova camada de incerteza às projeções de crescimento para 2026, como o Tropiquim já havia reportado ao analisar os riscos do conflito no Irã para a economia brasileira.
Para o Banco Central, a lógica de decisão segue o sistema de metas de inflação: quando as projeções estão dentro do alvo, abre-se espaço para cortar os juros. Quando estão acima, o Copom tende a manter ou elevar a Selic. A guerra no Oriente Médio colocou pressão exatamente nesse ponto de equilíbrio — e explica por que o primeiro corte será menor do que o mercado gostaria.