Companhias aéreas da Europa e da Ásia anunciaram reajustes de tarifas e reduziram operações nesta semana diante da alta recorde do querosene de aviação, pressionado pela guerra no Oriente Médio.
O combustível, que responde por cerca de 40% dos custos operacionais das aéreas, dobrou de valor desde o início do ano — chegando a US$ 173,91 por barril, mais que o dobro do preço registrado em janeiro.
Para os brasileiros, que dependem de companhias europeias em voos internacionais, o impacto deve chegar às passagens em breve.
Europeias lideram cortes e reajustes
A escandinava SAS foi uma das primeiras a agir: cancelou centenas de voos nesta semana e anunciou aumento temporário de tarifas para compensar a alta do combustível. A maioria das suspensões atinge rotas domésticas na Noruega, com impacto menor na Suécia e na Dinamarca.
Air France-KLM e Lufthansa também sentem a pressão. Parte do efeito é absorvida por contratos de hedge — compra antecipada de combustível a preços fixos —, mas o reflexo já aparece nas passagens ao consumidor final.
Vale lembrar que o setor aéreo já sentia os efeitos da guerra antes desta onda de reajustes: nos primeiros dias do conflito, o fechamento do espaço aéreo do Golfo cancelou cerca de 40 mil voos e travou os aeroportos de Dubai e Doha, os dois mais movimentados do mundo.
Ásia-Pacífico segue a mesma direção
A australiana Qantas anunciou reajuste médio de 5% nos voos internacionais. A Thai Airways estuda aumentos entre 10% e 15%, conforme a evolução dos preços. Já a Air India vai ampliar sobretaxas de combustível: US$ 125 em rotas para a Europa e US$ 200 para a América do Norte.
A companhia indiana declarou que, sem as sobretaxas, alguns voos não cobririam os custos operacionais e teriam de ser cancelados.
Por que o querosene subiu mais que o petróleo
Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o querosene depende de refino específico e tem menor prioridade nas refinarias do que gasolina e diesel — o que amplifica sua alta em relação ao petróleo bruto.
O barril de Brent gira em torno de US$ 100 após a escalada do conflito. O fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo — agravou ainda mais a crise de oferta.
Além dos reajustes de preço, diversas companhias reduziram operações no Oriente Médio por razões de segurança, adicionando incerteza ao planejamento de viagens internacionais.
Para o viajante brasileiro, o efeito é direto. As principais conexões intercontinentais passam por hubs europeus operados por Air France, Lufthansa e KLM — exatamente as companhias sob maior pressão de custos agora.
A perspectiva para os próximos meses é de pressão contínua sobre as tarifas. Analistas estimam que, mesmo com o fim do conflito, o restabelecimento da produção no Golfo pode levar semanas ou meses — o que sinaliza que o alívio nas passagens não deve ser imediato.
O mercado aéreo brasileiro, ainda em processo de ajuste após o ciclo de alta do pós-pandemia, enfrenta agora uma nova onda de encarecimento puxada por fatores externos e sem prazo claro para reversão.