O governo federal vai injetar capital diretamente nos Correios em 2027. O anúncio foi feito nesta terça-feira (17) pela ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
A medida estava prevista no contrato de empréstimo firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025 e integra o conjunto de ações para reequilibrar as finanças da estatal.
A empresa também avalia captar um novo empréstimo para reforçar o caixa, mesmo com a operação de crédito anterior já garantida pelo Tesouro Nacional.
Empréstimo bilionário com garantia federal
Em 2025, o Tesouro Nacional autorizou uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para os Correios, firmada com um consórcio de cinco bancos. O contrato prevê que, caso a estatal não consiga honrar as parcelas, o Tesouro cobre a dívida — transferindo o risco financeiro ao contribuinte.
O plano de reestruturação foi apresentado pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, no final de 2025. Na ocasião, ele sinalizou que ainda seriam necessários mais R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a crise, valor adicional aos R$ 12 bilhões já captados no ano anterior.
A proposta original era de um empréstimo de R$ 20 bilhões, mas o Tesouro Nacional não autorizou o montante integral em razão das altas taxas de juros apresentadas pelo mercado financeiro.
Cortes profundos e enxugamento da rede
O plano de reestruturação prevê um ajuste estrutural amplo: corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de mil agências — das cerca de cinco mil unidades atualmente em operação pelo país.
A companhia vai lançar um Programa de Demissão Voluntária (PDV), com expectativa de reduzir 15 mil funcionários em até dois anos, o que representa uma queda de 18% no quadro total de pessoal.
O aporte de capital anunciado por Dweck difere do empréstimo em um ponto essencial: enquanto o crédito precisa ser devolvido, a transferência direta do Tesouro à estatal não exige reembolso. Para a ministra, as duas ferramentas se complementam no processo de recuperação financeira da empresa. “Por isso é parte da equação também”, afirmou.
A situação dos Correios reflete um desafio estrutural de estatais brasileiras: manter relevância operacional em um setor transformado pelo e-commerce e pela digitalização, enquanto sustenta uma folha de pagamentos historicamente elevada e uma rede física que encarece a operação.
O fechamento de mil agências deve afetar principalmente municípios menores, onde os Correios são frequentemente o único serviço postal disponível à população. Já o PDV tende a concentrar as saídas entre funcionários mais experientes — e mais caros —, o que pode aliviar a folha de pagamentos, mas também comprometer o conhecimento institucional acumulado ao longo dos anos.