O dólar abriu em queda de 1,08% nesta segunda-feira (16), negociado a R$ 5,2658, com a guerra no Oriente Médio impulsionando o petróleo acima de US$ 106 e elevando as incertezas nos mercados globais.
Israel anunciou o início de uma operação terrestre no sul do Líbano contra o Hezbollah, aprofundando a crise geopolítica e as dúvidas sobre o abastecimento mundial de energia.
Petróleo dispara com Estreito de Ormuz bloqueado
O barril do Brent chegou a US$ 106 na abertura, mas operava a US$ 102,79 (-0,34%) por volta das 8h10. O petróleo americano (WTI) recuava 0,86%, para US$ 96,01. Desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, o Brent acumula alta superior a 40% e o WTI perto de 50%.
A pressão vem do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O Irã ameaça manter a rota fechada, elevando as incertezas sobre o abastecimento global e os temores de inflação.
Apenas dois dias atrás, o petróleo despencou mais de 11% em um único pregão após sinais de desescalada — mas o recuo foi passageiro e o barril já retornou à faixa dos US$ 106.
Israel abre frente terrestre no Líbano
O Exército israelense anunciou o início de “operações terrestres limitadas” no sul do Líbano contra alvos do Hezbollah, com o objetivo declarado de destruir infraestrutura do grupo e reforçar posições defensivas na fronteira. Na prática, é uma invasão de território.
O mesmo termo “operação limitada” foi usado em outubro de 2024, quando Israel entrou pela última vez no Líbano. Segundo o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin, o conceito designa uma incursão pontual, sem ocupação completa do território.
O conflito já deixou centenas de mortos no Líbano e forçou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. Quando Trump afirmou que a guerra estava “praticamente concluída” na semana passada, o dólar chegou a recuar para R$ 5,17 — mas a invasão ao Líbano desfez o otimismo e recolocou os mercados em alerta.
Semana decisiva para juros no Brasil e nos EUA
A guerra pressiona diretamente as decisões de política monetária. O mercado passou a prever um corte menor da Selic nesta semana: de apenas 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano, segundo o Boletim Focus do Banco Central. A revisão para baixo reflete o impacto da alta do petróleo sobre a inflação esperada.
A reunião do Copom acontece nesta semana, simultaneamente à do Federal Reserve nos EUA. A agenda econômica inclui ainda a divulgação do IBC-Br, prévia do PIB, e a atualização das projeções do Boletim Focus. A Receita Federal anuncia hoje as regras do Imposto de Renda Pessoa Física 2026, referente ao ano-base 2025.
Bolsas globais em queda generalizada
Na Ásia, o Nikkei (Japão) caiu 1,2%, o Hang Seng (Hong Kong) recuou 0,98% e o índice de Xangai perdeu 0,82%. Na Europa, o STOXX 600 cedeu 0,50%, com o CAC 40 (Paris) em queda de 0,91% e o DAX (Alemanha) recuando 0,65%.
Em Wall Street, o S&P 500 caiu 0,60%, a Nasdaq perdeu 0,93% e o Dow Jones recuou 0,25%, com investidores reagindo negativamente tanto ao conflito quanto aos dados recentes de crescimento e inflação nos EUA.