Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, lucrou mais de R$ 440 milhões com a compra e venda de cotas de fundos geridos pela Reag Investimentos — gestora investigada por suspeita de lavagem de dinheiro em benefício do banco e de empresas ligadas ao PCC.
Os dados estão na declaração de Imposto de Renda de 2024, enviada pela Receita Federal à CPMI do INSS, e revelam os ganhos obtidos pelo banqueiro com operações realizadas em 2023. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
A operação mais expressiva durou apenas 24 horas. Nesse intervalo, Vorcaro registrou lucro superior a R$ 290 milhões com ativos que aumentaram 116 vezes de preço — uma valorização real de 11.474%.
No mesmo ano, o banqueiro também obteve R$ 150 milhões em uma semana ao vender cotas do fundo Hans II para outro veículo administrado pela própria Reag, o Astralo Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado I — o Astralo 95.
O Astralo 95 voltou a aparecer em 2025, quando Vorcaro transferiu R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma offshore com sede nas Ilhas Cayman.
A maior parte desse montante — R$ 555,7 milhões — foi transferida pela GSR Fundo de Investimento, cujo único acionista é justamente o Astralo 95.
No mesmo período, o patrimônio pessoal de Vorcaro cresceu 87%, com a venda da Viking Participações para os mesmos fundos Astralo 95 e Stern da gestora investigada — detalhes na reportagem sobre a fortuna do banqueiro.
Reag investigada e liquidada pelo Banco Central
A Reag Investimentos foi alvo da mesma Operação Compliance Zero que investiga o Banco Master e que levou Vorcaro à prisão. A gestora também foi atingida pela Operação Carbono Oculto, que apura a máfia dos combustíveis e vínculos com o Primeiro Comando da Capital.
Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Investimentos, encerrando as operações da empresa.
Os lucros com a Reag compõem parte dos R$ 570 milhões que Vorcaro declarou como renda ao Fisco em 2024 — ano em que ainda obteve restituição do Imposto de Renda, como revelou o Tropiquim em cobertura sobre a declaração do banqueiro.
Duas prisões e transferência para Brasília
Vorcaro foi preso duas vezes no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A primeira, em 17 de novembro, quando o banqueiro se preparava para viajar à Europa. A segunda, em 4 de março de 2026, em São Paulo, na terceira fase da operação.
Após passagem pela Penitenciária 2 de Potim, no interior paulista, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília. A PF solicitou a transferência alegando necessidade urgente de proteção à integridade física do custodiado.