Dois meses depois que a Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos às principais redes sociais, um quinto dos adolescentes do país ainda usa as plataformas. Os dados levantam dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de verificação de idade.
O levantamento é da Qustodio, empresa especializada em controle parental. Os números mostram que o uso de TikTok e Snapchat entre jovens de 13 a 15 anos caiu entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 — mas ainda supera 20%.
A lei australiana entrou em vigor em dezembro de 2025 e obriga plataformas como Instagram, Facebook, Threads, YouTube, TikTok e Snapchat a bloquearem usuários com menos de 16 anos. O descumprimento pode gerar multas de até US$ 35 milhões.
O regulador nacional de internet, o eSafety Commissioner, reconheceu que menores continuam acessando as redes e afirmou estar “interagindo ativamente com as plataformas e seus provedores de verificação de idade” para identificar possíveis brechas no sistema.
Os dados da Qustodio estão entre os primeiros a medir o impacto comportamental da proibição. O governo australiano e ao menos dois estudos universitários monitoram os efeitos, mas nenhum publicou resultados até agora.
A Austrália tornou-se referência global na regulação de redes sociais para menores. A Indonésia é um dos países que seguiram o modelo australiano: Jacarta anunciou a proibição de acesso de menores de 16 anos às plataformas, reforçando que a tendência se espalha pelo mundo.
A principal dificuldade está no enforcement: sem mecanismos robustos de verificação de idade, jovens continuam acessando as plataformas com relativa facilidade. A questão está no centro do debate regulatório em países que estudam legislações semelhantes.
Ainda não está claro se a queda observada representa uma mudança duradoura de comportamento ou apenas uma adaptação temporária ao novo cenário legal. A ausência de dados oficiais do governo australiano dificulta a leitura do impacto real da medida.