O petróleo Brent voltou a superar a barreira dos US$ 100 o barril nesta quinta-feira (12) após novos ataques iranianos atingirem navios comerciais próximos ao Estreito de Ormuz e ao porto de Basra, no Iraque.
A retomada da violência na quarta (11) e quinta (12) aprofundou a instabilidade em uma das rotas energéticas mais críticas do planeta — por onde escoa cerca de 20% da produção global de petróleo.
Em resposta, os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) aprovaram a maior liberação de reservas emergenciais da história: 400 milhões de barris, mais que o dobro do recorde anterior.
Ataques elevam tensão na rota do petróleo
Desde o início do conflito, o barril acumula alta expressiva e chegou perto de US$ 120 no começo da semana, quando as interrupções no Estreito de Ormuz se intensificaram. Desde o fechamento da passagem em 28 de fevereiro — quando o petróleo já acumulava a terceira alta consecutiva e a Guarda Revolucionária iraniana anunciava controle absoluto sobre o estreito — a rota por onde escoa 20% do petróleo mundial nunca voltou à normalidade.
Na sessão de quarta-feira, o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 5,91%, a US$ 88,38. O Brent do Mar do Norte, referência na Europa, subiu 5,05%, chegando a US$ 92,23 — antes de cruzar os três dígitos no pregão seguinte.
As bolsas europeias e asiáticas recuaram ao longo da quarta, refletindo a incerteza crescente provocada pelo conflito no Oriente Médio.
Recorde histórico da AIE
A resposta coordenada dos países consumidores foi inédita em escala. Os 32 membros da AIE aprovaram a liberação de 400 milhões de barris de seus estoques estratégicos — volume mais de duas vezes superior ao recorde anterior, de 182,7 milhões de barris, mobilizado após a invasão russa da Ucrânia em 2022.
A volatilidade dos últimos dias expôs a sensibilidade dos mercados à retórica política. Na terça-feira (10), bolsas globais registraram altas expressivas e o petróleo recuou depois que Donald Trump declarou na segunda-feira que o conflito terminaria “em breve”. Os ataques de quarta e quinta desfizeram esse otimismo rapidamente.
Para o consumidor brasileiro, a barreira dos US$ 100 por barril tem reflexo direto no posto: analistas alertam que a Petrobras pode ser pressionada a rever sua política de reajustes na gasolina e no diesel caso os preços internacionais se mantenham elevados.
O cenário no Golfo segue escalando sem sinal de estabilização. No mesmo dia em que a AIE anunciou a maior liberação de reservas de sua história, generais iranianos escalaram as ameaças ao mercado e atacaram novos navios no Golfo Pérsico.