A Agência Internacional de Energia (IEA) afirmou nesta quinta-feira (12) que a guerra no Oriente Médio está causando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, superando qualquer crise energética anterior registrada pela entidade.
O alerta consta de relatório mensal divulgado um dia após a IEA aprovar a liberação de 400 milhões de barris dos estoques estratégicos — a maior operação do tipo nos 50 anos de existência da agência.
O gatilho da crise é o bloqueio do Estreito de Ormuz após ataques aéreos de Estados Unidos e Israel ao Irã iniciados em 28 de fevereiro.
Golfo corta 10 milhões de barris por dia
Segundo o relatório da IEA, a oferta global deve recuar 8 milhões de barris por dia em março por causa do bloqueio de Ormuz. O impacto nos países produtores do Golfo é ainda maior: Iraque, Catar, Kuweit, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita reduziram a produção conjunta em pelo menos 10 milhões de barris diários — equivalente a quase 10% da demanda mundial.
Levantamento anterior da Bloomberg havia calculado que Arábia Saudita, Iraque, Emirados e Kuwait tinham cortado juntos 6,7 milhões de barris por dia — número que a IEA ampliou para 10 milhões com a inclusão de Catar e Kuweit, conforme detalhado em cobertura anterior do Tropiquim sobre os cortes do Golfo.
A agência alertou que, sem uma retomada rápida do transporte marítimo pela região, as perdas tendem a crescer. O cenário pressiona especialmente as economias dependentes das importações de petróleo do Golfo Pérsico.
Reservas estratégicas em ação
Na véspera, a IEA havia aprovado a liberação recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus membros — a maior operação do tipo em 50 anos de história da agência, equivalente a quatro dias de consumo mundial —, como detalhado em reportagem do Tropiquim sobre a mobilização das reservas. Os Estados Unidos respondem pela maior parte do volume liberado.
A medida busca conter a alta dos preços do petróleo bruto que se acelerou desde o início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Preços sobem mesmo após liberação das reservas
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (12), mesmo com o anúncio da liberação das reservas estratégicas. A alta foi impulsionada por novos ataques do Irã a instalações petrolíferas e de transporte no Oriente Médio, elevando o temor de um conflito prolongado e de novas interrupções no Estreito de Ormuz.
O petróleo Brent avançava mais de 6% na sessão, sendo negociado pouco abaixo de US$ 98 por barril. O pico recente foi atingido na segunda-feira (9), quando o barril chegou a US$ 119,50 — o maior valor desde meados de 2022.
Já na primeira semana do conflito, quando o petróleo superou US$ 90 e o Catar declarou força maior nas exportações de GNL, analistas alertavam que os efeitos no abastecimento se estenderiam por meses — independentemente de quando a guerra terminasse, como o Tropiquim apontou em análise publicada no início do conflito.
Com Ormuz ainda bloqueado e o Irã intensificando os ataques, a IEA admite que o quadro pode se deteriorar antes de melhorar, prolongando um período de combustível caro para consumidores ao redor do mundo.