Política

Guerra no Irã e petróleo a US$ 100 ameaçam Trump nas midterms

Com 67% dos americanos esperando gasolina mais cara, democratas veem chance de retomar o Congresso em novembro

A guerra entre os EUA e o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, disparou o preço do petróleo a US$ 120 o barril — o maior valor desde 2022 — e agora pressiona diretamente o capital político de Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Mesmo após recuar, o barril segue na casa dos US$ 100. Pesquisa Ipsos/Reuters de 9 de março mostra que 67% dos americanos esperam gasolina mais cara no próximo ano por causa da guerra — e seis em dez acreditam que o conflito se estenderá.

Custo eleitoral da guerra

Em novembro, os americanos vão às urnas para as midterms — eleições legislativas de meio de mandato. Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas, com margem de 53 a 47 no Senado.

O problema, segundo especialistas, é que a alta do petróleo opera como um imposto silencioso sobre as famílias. Economistas em Washington estimam que um aumento de 10% no preço do barril reduz em 0,2 ponto percentual o crescimento do PIB americano — e uma alta de US$ 10 adiciona cerca de 0,1 ponto à inflação.

“Na prática, comprime a renda disponível”, afirma Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional. O analista destaca que o impacto é mais severo para eleitores de média e baixa renda, especialmente os independentes — grupo decisivo nos chamados estados-pêndulo.

A volatilidade do mercado ficou evidente em 9 de março, quando o barril chegou a US$ 119 de madrugada antes de despencar para US$ 88 após Trump afirmar que a guerra estava “praticamente concluída” — declaração que o mercado logo refutou com novos ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz.

Com o barril acima de US$ 100, a Petrobras segura reajustes no curto prazo, mas analistas alertam que altas maiores podem vir se os preços internacionais se mantiverem elevados por mais tempo.

Medidas para conter os preços

Trump reagiu em várias frentes: afrouxou temporariamente as sanções ao petróleo russo e anunciou que até 200 milhões de barris da Venezuela serão destinados ao refino americano. A Agência Internacional de Energia (AIE) coordenou a maior liberação de reservas estratégicas de sua história — 400 milhões de barris disponibilizados pelos 32 países-membros.

O impacto, porém, depende da duração do conflito. Na primeira semana da guerra, cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo foi suspenso — e analistas avaliam que os efeitos podem se estender por meses, mesmo que o conflito termine logo. David Fyfe, economista-chefe da Argus, alerta que a liberação de estoques é medida de curto prazo: o que realmente define os preços é o tempo de restrição à navegação no Estreito de Ormuz.

O que está em jogo nas urnas

Especialistas avaliam que o cenário eleitoral se tornou mais favorável aos democratas. Se o partido recuperar a maioria na Câmara e no Senado, Trump enfrentará resistência crescente no Legislativo — com prioridades como cortes de impostos, mudanças em regulações ambientais e o próprio financiamento das operações militares na berlinda.

A professora Carolina Moehlecke, da FGV, lembra que a pressão sobre os preços foi crucial para a queda de popularidade de Biden em 2024 — e que Trump carrega ainda o ônus de uma promessa quebrada: havia dito que evitaria conflitos externos, mas ampliou as ofensivas contra o Irã. Até novembro, porém, o tabuleiro eleitoral ainda pode ser reconfigurado pela evolução da guerra.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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