O Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira (13) projeções sobre o impacto da guerra no Oriente Médio na economia brasileira em 2026.
No pior cenário, com o barril de petróleo a US$ 100, a arrecadação federal líquida cresceria R$ 96,6 bilhões — mas a inflação ultrapassaria 4%.
No cenário base, o governo mantém a projeção de crescimento do PIB em 2,3% e estima inflação de 3,7% no ano.
Três cenários para o petróleo em 2026
A Secretaria de Política Econômica traçou ao menos dois horizontes distintos para a economia brasileira, a depender da evolução do conflito no Oriente Médio.
No cenário base, o barril de petróleo ficaria em uma média de US$ 73,6 ao longo do ano — o que elevaria a inflação de 3,6% para 3,7%, praticamente estável. O crescimento do PIB permaneceria em 2,3%, mesmo ritmo registrado em 2025.
No cenário disruptivo — o pior calculado pelo governo —, o barril chegaria a US$ 100, pressionando a inflação acima de 4% e elevando a arrecadação federal líquida em R$ 96,6 bilhões. O valor considera o que fica com o governo central após as transferências constitucionais a estados e municípios.
O documento ressalta que o impacto de variações extremas no preço do petróleo sobre a atividade e a inflação não é linear, o que torna as estimativas especialmente sensíveis em momentos de escalada do conflito.
O barril já superou US$ 100 no mercado internacional nesta semana, tornando o cenário disruptivo projetado pela Fazenda não uma hipótese remota, mas uma descrição do momento atual.
Governo aposta em resiliência mesmo diante do choque externo
Mesmo com a escalada no preço do petróleo, o Ministério da Fazenda afirma que as perspectivas macroeconômicas para 2026 permanecem favoráveis.
A avaliação oficial é que o crescimento econômico seguirá “resiliente”, a inflação continuará em queda e a meta de resultado primário — o superávit nas contas do governo — será cumprida no ano.
O tom otimista contrasta com a velocidade dos eventos externos. O conflito eclodiu em 28 de fevereiro e, desde então, analistas já projetavam que o barril poderia atingir US$ 100 — exatamente o patamar adotado pelo Ministério da Fazenda como o pior cenário em suas projeções fiscais.
O PIB brasileiro cresceu exatamente 2,3% em 2025, e é justamente esse ritmo que o governo afirma querer preservar em 2026, mesmo diante do choque no petróleo provocado pela guerra no Irã.