Economia

Exportações de veículos caem 28% com retração do mercado argentino

México evitou resultado ainda pior, mas fábricas brasileiras já registram queda de 8,9% na produção

O setor automotivo brasileiro fechou o primeiro bimestre de 2026 com uma queda expressiva nas exportações: apenas 59,4 mil veículos embarcados, contra 82,4 mil no mesmo período de 2025 — retração de 28%.

O tombo reflete, sobretudo, o recuo das compras argentinas. O país vizinho, que em 2025 absorveu 59% de todos os veículos exportados pelo Brasil, reduziu drasticamente suas importações do setor automotivo em fevereiro.

A queda nas exportações já pesa sobre a produção nacional: o Brasil fabricou 338 mil veículos nos dois primeiros meses do ano, redução de 8,9% na comparação com 2025.

Argentina: de locomotiva a freio das exportações

Em 2025, a Argentina foi o destino de 302 mil dos 528 mil veículos exportados pelo Brasil — mais da metade dos embarques do setor. O peso desse parceiro torna qualquer oscilação do mercado portenho num choque direto para as montadoras brasileiras.

Entre janeiro e fevereiro de 2026, os embarques para o país vizinho recuaram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades, queda de 7,5%. O impacto no total exportado foi amplificado exatamente pelo tamanho da Argentina dentro da equação exportadora do Brasil.

Dados da Abeceb, consultoria argentina especializada em comércio exterior, mostram que as importações totais vindas do Brasil somaram US$ 1,057 bilhão em fevereiro — queda de 26,5% na comparação anual e o pior resultado desde julho de 2024. O setor automotivo concentrou 74% desse declínio, com redução de US$ 284 milhões.

A queda foi disseminada por toda a cadeia. Caminhões lideraram a retração com -64,3%, seguidos de comerciais leves (-51,4%), automóveis (-43,6%) e peças e acessórios (-30,9%). A contração nas vendas de componentes indica que as próprias montadoras argentinas já reduzem o ritmo de produção.

Por trás do recuo está a instabilidade do governo Javier Milei: a incerteza sobre a capacidade de controlar a inflação e honrar a dívida externa freia o consumo interno e, por consequência, os pedidos às fábricas brasileiras. O movimento contrasta com outra decisão do governo portenho: a extinção do imposto do luxo sobre veículos, que derrubou preços de modelos premium em até R$ 200 mil — medida que, porém, não foi suficiente para reverter a retração diante das incertezas fiscais.

México alivia, mas mercado interno segura o setor

Nem todo o panorama externo foi negativo. O México protagonizou uma virada inesperada no bimestre: as exportações brasileiras para o país saltaram de 2,2 mil para 9,1 mil unidades só em fevereiro, atenuando parte das perdas com a Argentina.

No mercado doméstico, as vendas se mantiveram quase estáveis: 355,7 mil unidades nos dois primeiros meses do ano, recuo de apenas 0,1% na comparação anual. O cenário interno, no entanto, é marcado pelo avanço das marcas chinesas, que ampliam fatia com preços competitivos.

Caminhões resistem ao Move Brasil

O segmento de caminhões concentra o quadro mais preocupante. O Move Brasil — programa do governo federal com financiamento subsidiado pelo BNDES — não conseguiu impulsionar as vendas, que recuaram 28,7% no bimestre. A produção do segmento caiu 27% em relação ao mesmo período de 2025.

O motivo vai além da Argentina: as tensões no Oriente Médio pressionam o fornecimento de petróleo, elevam os preços do diesel e do frete e levam transportadores a adiar decisões de compra — mesmo diante de linhas de crédito mais acessíveis.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Moraes autoriza transferência de condenados pelo assassinato de Marielle para o Rio

Corregedoria Federal pede decreto que obrigue monitoramento em presídios

Vorcaro lucrou R$ 440 mi com fundos da Reag antes de ser preso

Bolsonaro piora funções renais na UTI e segue sem previsão de alta