Diante da escalada do petróleo acima de US$ 100, a Austrália anunciou uma resposta emergencial: flexibilizar os padrões de qualidade do combustível por 60 dias para ampliar o abastecimento interno e pressionar os preços para baixo.
O ministro de Energia, Chris Bowen, confirmou nesta quinta-feira (12) que o país permitirá temporariamente teores mais altos de enxofre no combustível, viabilizando o redirecionamento de 100 milhões de litros que seriam exportados para o mercado doméstico.
Ampol assume compromisso de redistribuição
A petrolífera australiana Ampol se comprometeu a redirecionar o combustível para regiões com maior escassez de abastecimento e para o mercado atacista à vista, priorizando distribuidores independentes e produtores rurais — os mais vulneráveis a oscilações no fornecimento.
A flexibilização nos padrões de enxofre é temporária e limitada aos próximos 60 dias, segundo o Ministério de Energia. A ideia é liberar rapidamente estoques que, de outra forma, seriam enviados ao exterior, injetando volume imediato no mercado doméstico sem depender de novas importações.
Ataques iranianos elevam tensão no Golfo
O anúncio australiano veio em resposta à nova escalada do petróleo acima de US$ 100 o barril — cerca de R$ 515,90 — após ataques atingirem navios comerciais nas proximidades do Estreito de Ormuz e do porto de Basra, no Iraque, na quarta (11) e quinta-feira (12).
Os ataques, atribuídos ao Irã, intensificam a pressão sobre uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo. O Estreito concentra boa parte do escoamento da produção do Golfo Pérsico, e qualquer ameaça à navegação ali repercute imediatamente nos mercados globais.
Os mesmos ataques iranianos que motivaram a resposta australiana forçaram o Brent acima de US$ 100 e desencadearam a maior liberação de reservas emergenciais da história pela Agência Internacional de Energia — 400 milhões de barris.
A medida australiana veio em meio a uma semana de extrema turbulência nos mercados de energia. O petróleo já havia disparado quase 30% nos mercados internacionais, com cerca de 300 navios parados à espera de passagem segura pelo Estreito de Ormuz — uma paralisia logística que agrava a pressão sobre os estoques globais.
Para consumidores e produtores rurais australianos, a medida representa um alívio imediato. A Ampol terá de priorizar distribuidores independentes, que normalmente ficam em desvantagem na disputa por combustível em períodos de escassez.
No horizonte, a crise no Oriente Médio não dá sinais de arrefecimento. Com ataques contínuos e reservas estratégicas sendo acionadas em escala recorde globalmente, o cenário sugere que medidas de emergência como a australiana podem se multiplicar em outros países dependentes de petróleo importado.