A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) repudiou com veemência, nesta sexta-feira (13), as ameaças e ataques virtuais contra jornalistas que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília.
Os repórteres foram hostilizados ainda na portaria do hospital e, em seguida, passaram a ser alvos de centenas de mensagens ofensivas nas redes sociais — após um vídeo publicado pelo deputado Mario Frias (PL-SP) expor os profissionais com alegações falsas sobre sua conduta na cobertura.
Na postagem, o parlamentar afirmou que os jornalistas estariam “desejando a morte” de Bolsonaro. Não há, nas imagens divulgadas, qualquer declaração neste sentido. A acusação sem respaldo foi suficiente para acionar uma onda de ataques coordenados contra os profissionais.
Repórteres de diferentes veículos tiveram dados pessoais expostos — prática conhecida como doxxing — e passaram a receber centenas de mensagens ameaçadoras. O caso foi levado à Polícia Civil do Distrito Federal, e prints dos comentários foram anexados a pelo menos um boletim de ocorrência.
Em nota, a Abert afirmou que “nada justifica tamanha violência contra profissionais da imprensa em pleno exercício da atividade jornalística” e exigiu das autoridades locais a rigorosa apuração do caso e a punição dos agressores. Fundada em 1962, a entidade representa 3,2 mil emissoras privadas de rádio e televisão no país.
A internação de Bolsonaro em Brasília despertou grande interesse jornalístico em parte pelo contexto jurídico do ex-presidente: o STF havia negado, semanas antes, o pedido de prisão domiciliar com base em laudo que atestava 144 atendimentos médicos em 39 dias no 19º Batalhão.
O episódio desta sexta se encaixa num padrão recente de pressão organizada contra a imprensa brasileira. Em março, a ANJ também repudiou o esquema montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para prejudicar violentamente o colunista Lauro Jardim, de O Globo — mais um ataque a jornalistas repudiado por entidade de classe no mesmo período.
A Abert reafirmou na nota a “defesa intransigente da liberdade de expressão e do direito do brasileiro à livre informação”.