Tecnologia

TikTok apaga vídeos de agressão simulada mas mantém perfis após pressão policial

Trend que simulava violência após rejeição acumulou 175 mil interações enquanto PF abriu investigação

O TikTok removeu ao menos 20 vídeos da trend “treinando caso ela diga não”, que simulava reações violentas de homens diante da rejeição feminina, após reportagens da imprensa e a abertura de investigação pela Polícia Federal.

Apesar da remoção dos conteúdos, os perfis dos criadores seguem ativos na plataforma. A trend ganhou força próximo ao Dia Internacional das Mulheres e acumulou mais de 175 mil interações.

Nos vídeos, os autores encenavam abordagens românticas — pedidos de namoro ou casamento — seguidas da frase “treinando caso ela diga não”. A sequência exibia reações agressivas à rejeição: socos em objetos, movimentos de luta ou golpes com faca.

O TikTok confirmou que os conteúdos violam as diretrizes da plataforma e foram removidos após serem identificados. A ação ocorreu depois que a imprensa compartilhou os links com a empresa na segunda-feira (9). Os vídeos analisados foram publicados entre 2023 e 2025 por perfis com 883 a 177 mil seguidores.

Entre os criadores envolvidos, o influenciador Yuri Meirelles — com 1,7 milhão de seguidores no TikTok e 1,6 milhão no Instagram — teve um vídeo que voltou a circular. Conhecido pelo clipe “Funk Rave”, de Anitta, e pelo reality A Fazenda, ele apagou a publicação e pediu desculpas, classificando o conteúdo como “uma brincadeira”.

Os registros mais antigos desse formato foram encontrados fora do Brasil, em vídeos em inglês com a mesma lógica de simular violência diante da rejeição. A trend chegou ao país em um momento crítico: o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica — dado que amplia a dimensão preocupante desse tipo de conteúdo nas redes.

Resposta institucional

A Polícia Federal instaurou um procedimento investigativo para apurar a divulgação de conteúdos que incitavam violência contra mulheres em redes sociais. A corporação solicitou ao TikTok a preservação dos dados e a retirada do material após receber denúncia sobre a trend.

Na mesma semana, a Comissão de Segurança Pública da Câmara votou requerimento pedindo à Procuradoria-Geral da República que investigue os perfis e avalie a responsabilização criminal por apologia à violência contra a mulher.

Para a pesquisadora Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), esse tipo de conteúdo se espalha rapidamente porque gera alto engajamento. “Certamente um vídeo dessa trend vai viralizar muito mais do que um vídeo educativo dizendo por que isso é violência contra a mulher”, afirmou.

A lógica algorítmica das redes favorece a disseminação de conteúdo de alto impacto emocional — o que coloca o debate sobre responsabilidade das plataformas no centro da discussão sobre segurança digital para mulheres.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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