O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, descartou nesta terça-feira qualquer intervenção do governo federal na Petrobras em resposta à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, chamando a medida de “irresponsável”.
Silveira havia se reunido com o presidente Lula para discutir possíveis respostas à crise, mas afastou ações diretas sobre a estatal.
O ministro classificou os recentes aumentos nos preços dos combustíveis em diversas regiões do país como “criminosa especulação” por parte de distribuidoras, anunciando fiscalizações e envolvimento da Polícia Federal.
Sem risco de desabastecimento, diz ministro
Durante participação na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Silveira afastou preocupações com o fornecimento de combustíveis no Brasil. “É naturalmente um momento de apreensão do mundo inteiro, não só do Brasil, porque nós vivemos um caos geopolítico, mas não tem risco de abastecimento”, declarou.
A cúpula com Lula foi convocada após o petróleo acumular alta de quase 30% em uma semana, impulsionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz — via por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Silveira reforçou que a Petrobras, empresa de capital aberto listada na bolsa de Nova York, tem governança própria e que qualquer intervenção seria inadequada.
Monitoramento e tolerância zero com a especulação
Como resposta institucional, o Ministério de Minas e Energia anunciou a criação de uma Sala de Monitoramento do Abastecimento, com o objetivo de identificar riscos ao fornecimento e coordenar ações para preservar a segurança energética do país. A medida segue práticas já adotadas pela pasta em cenários geopolíticos semelhantes.
Silveira foi enfático ao atacar a criminosa especulação praticada por distribuidoras e revendedores: “Vamos aplicar as multas devidas, vamos fiscalizar, vamos fazer operações, vamos envolver a Polícia Federal”, afirmou, após sindicatos do setor registrarem altas nos preços da gasolina e do diesel em diversas regiões do Brasil.
Barril acima de US$ 100 e risco de novos reajustes
Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, o barril de petróleo ultrapassou os US$ 100, atingindo o maior nível desde fevereiro de 2022 — quando a invasão russa da Ucrânia abalou os mercados energéticos globais. O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo e gás no mundo, elevou o temor de restrições prolongadas na oferta.
Com a Petrobras absorvendo parte das oscilações no curto prazo, analistas alertam que reajustes maiores podem vir caso os preços internacionais não recuem. O cenário pressiona o governo a equilibrar o discurso de estabilidade com a realidade de um mercado em ebulição.
Na mesma terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também pediu que o país não tome “decisões açodadas” diante da volatilidade extrema, com o barril chegando a superar US$ 120, reforçando a postura cautelosa do governo federal frente à crise.