A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (11) mostra um cenário eleitoral de 2026 que desafia leituras simples: o presidente Lula (PT) lidera em apenas dois dos sete cenários de primeiro turno testados, e empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro (PL) nos outros cinco.
As intenções de voto de Lula oscilam entre 36% e 39%. As de Flávio variam de 30% a 35%. Nos dois cenários em que Lula abre vantagem, a diferença chega a 7 pontos percentuais; no cenário mais disputado, o intervalo cai para apenas 1 ponto.
Os outros pré-candidatos
Além do duelo no topo, a Quaest testou sete configurações de primeiro turno com outros pré-candidatos. Ratinho Júnior (PSD) é o terceiro colocado mais forte, com até 7% em seus melhores cenários. Ronaldo Caiado (PSD) alcança 4%, Eduardo Leite (PSD) chega a 3%, enquanto Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão) registram 2% cada.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Rejeição espelha a liderança
O mesmo duopólio que domina as intenções de voto se repete na rejeição. Lula lidera com 56%, seguido de Flávio Bolsonaro com 55% — diferença dentro da margem de erro. Os dois são também os candidatos mais conhecidos pelo eleitorado, o que explica, em parte, os altos índices acumulados ao longo da corrida.
A Quaest confirma uma tendência já sinalizada por outros levantamentos: o confronto direto Lula-Flávio domina o campo eleitoral de 2026, enquanto terceiras vias ainda não encontraram espaço para ultrapassar dois dígitos.
O Datafolha, divulgado dias antes com a mesma metodologia de 2.004 entrevistados, já registrava Lula liderando todos os cenários de primeiro turno — mas com margens em queda. A Quaest agora revela que parte dessas margens evaporou: em cinco dos sete cenários testados, a disputa está tecnicamente empatada.
O Datafolha da mesma semana chegou a resultado semelhante no ranking de rejeição: 46% descartavam Lula e 45% descartavam Flávio — padrão que a Quaest agora confirma e detalha, elevando os percentuais para acima de 55% em ambos os casos.
O cenário sugere que qualquer candidatura terá de lidar com um eleitorado simultaneamente atraído e repelido pelos mesmos nomes — uma polarização que poderá definir não apenas o resultado do primeiro turno, mas o comportamento do voto no segundo.