O preço do petróleo voltou a disparar nesta quarta-feira (11), com o WTI avançando 5,91% e chegando a US$ 88,38 o barril. As principais bolsas europeias e asiáticas operavam em queda, refletindo a incerteza persistente em torno da guerra no Oriente Médio.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã, entra em mais uma rodada de volatilidade extrema. Na terça-feira, os mercados tinham fechado em alta após Trump declarar que o conflito terminaria “em breve” — mas o alívio durou menos de 24 horas.
Estreito de Ormuz no centro da crise
Desde o fechamento do Estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro, o petróleo já acumulava três altas consecutivas — o ponto de partida de uma escalada que nesta quarta ainda não encontrou teto. A passagem, por onde transitam normalmente 20% da produção mundial, permanece instável: vários navios foram atacados com projéteis nas últimas horas, agravando as preocupações de abastecimento global.
No pico da semana, o WTI chegou a disparar 30% e bater US$ 119 o barril na segunda-feira, antes de despencar após Trump declarar que a guerra estava “praticamente concluída” — a maior oscilação diária em anos. Na terça, o petróleo recuou 7% e as bolsas fecharam em alta após o sinal de Trump sobre um fim iminente do conflito. Nesta quarta, a tendência voltou a se inverter.
Nas bolsas europeias, Frankfurt liderou as perdas com queda de 1,15%, seguida por Milão (-0,75%), Londres (-0,73%), Madri (-0,71%) e Paris (-0,63%). Na Ásia, Hong Kong recuou 0,2% e Xangai, 0,3%. Tóquio foi exceção, fechando em alta de 1,4%.
O Brent do Mar do Norte, referência europeia do petróleo, avançava 5,05%, a US$ 92,23 o barril, enquanto o dólar operava estável no mercado cambial.
AIE e G7 preparam resposta coordenada
Diante da escalada dos preços, a Agência Internacional de Energia (AIE) planeja a maior liberação de reservas de petróleo bruto de sua história, segundo o Wall Street Journal. O volume seria superior aos 182 milhões de barris liberados após a invasão russa da Ucrânia, em 2022.
Os ministros de Energia do G7 emitiram comunicado conjunto afirmando estar “dispostos” a adotar “todas as medidas necessárias”, incluindo o uso de reservas estratégicas em coordenação com a AIE. Os chefes de Estado do bloco devem debater o tema ainda nesta quarta-feira.
Os membros da AIE dispõem de mais de 1,2 bilhão de barris em reservas públicas de emergência, além de cerca de 600 milhões de barris adicionais em reservas industriais — capacidade que representa pouco mais de 18 dias de consumo global.
“Os acontecimentos vinculados à guerra no Irã continuam acelerando e são muito difíceis de prever”, alertou Andreas Lipkow, analista da CMC Market. John Plassard, do Cité Gestion Private Bank, avaliou que “os investidores esperam evidências concretas e um retorno à calma no Estreito de Ormuz”.