Os modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) apontam 98% de chance de um El Niño moderado se formar até agosto de 2026, com 80% de probabilidade de o evento se tornar forte e 22% de chance de atingir a categoria “super”.
O mundo ainda está sob influência de uma La Niña fraca — o fenômeno oposto, marcado por águas mais frias que o normal no Pacífico. Os modelos indicam que essa fase deve enfraquecer nos próximos meses, com transição para El Niño prevista após julho, precedida por uma janela de neutralidade climática.
O que é El Niño e quando vira “super”
O El Niño é definido pelo aquecimento igual ou superior a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico na região equatorial. O fenômeno ocorre a cada dois a sete anos e tem efeitos diretos sobre o clima global.
O chamado Super El Niño ainda não tem definição consensual entre especialistas. De forma geral, o termo é aplicado quando o aquecimento do mar nessa região supera 2°C acima da média, desencadeando uma resposta atmosférica de grande magnitude. Eventos nessa escala ocorrem, em média, uma vez a cada 10 a 15 anos.
Efeitos esperados no Brasil e no mundo
Para o Brasil, o El Niño reforça o calor no verão e torna o inverno mais ameno. O fenômeno dificulta o avanço de frentes frias sobre o país, fazendo com que as quedas de temperatura se tornem mais curtas e menos intensas. O contraste com o cenário atual é marcante: enquanto o Brasil ainda enfrenta frentes frias intensas e quedas bruscas de temperatura — padrão típico da La Niña em vigor —, a transição para El Niño tenderia a enfraquecer exatamente esse tipo de avanço polar.
Em escala global, esperam-se mais ondas de calor, chuvas intensas concentradas em certas regiões e secas severas em outras, além de mudanças nas trajetórias de ciclones tropicais. No Atlântico, os ventos intensos nas camadas médias e superiores da atmosfera durante El Niños criam condições menos favoráveis à formação de tempestades tropicais, o que pode tornar a temporada de furacões mais tranquila.
O histórico dos eventos anteriores serve de alerta para regiões vulneráveis. Durante o Super El Niño de 2015-16, secas severas castigaram partes da África, América Central, Ásia e Oceania. Países tropicais da América do Sul, Oriente Médio, Índia e Austrália registraram calor e umidade extremos no período.
Há ainda o risco sobre as temperaturas globais. Eventos intensos de El Niño historicamente empurram o planeta para anos recordes de calor, pois o calor liberado pelo oceano se redistribui pela atmosfera com meses de defasagem — o que significa que os efeitos mais intensos podem ser sentidos ao longo de 2027.
Incerteza ainda é significativa
Apesar dos sinais crescentes, a margem de erro permanece elevada. As previsões de El Niño nesta época do ano estão sujeitas à chamada “barreira de previsão de primavera” no Hemisfério Norte, período em que os modelos climáticos apresentam menor confiabilidade.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) avalia que o espectro de possibilidades ainda vai de uma La Niña fraca a um El Niño forte e deve divulgar uma atualização nos próximos dias. Historicamente, as projeções se tornam mais confiáveis a partir de junho.