Kim Jong-un assistiu ao lado da filha ao lançamento de mísseis de cruzeiro do destróier Choe Hyon, na terça-feira (10), enquanto a Coreia do Norte escalava sua resposta aos exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul.
A presença de Kim Ju-ae — jovem de cerca de 13 anos apontada como possível sucessora do regime — transforma o teste em evento de duplo significado: provocação geopolítica e sinal de transição de poder em Pyongyang.
Teste como recado a Washington e Seul
Os lançamentos ocorreram logo após o início do Freedom Shield, exercício de 11 dias conduzido conjuntamente por EUA e Coreia do Sul. Pyongyang classifica os treinamentos como ensaio para uma invasão e costuma responder com demonstrações de força.
A mídia estatal KCNA informou que os mísseis atingiram ilhas-alvo na costa oeste norte-coreana. Kim Jong-un declarou que o objetivo era demonstrar a “postura ofensiva estratégica” da Marinha e familiarizar as tropas com o disparo de armas.
O líder norte-coreano já havia acompanhado testes similares do Choe Hyon na semana anterior — mas sem a presença da filha. Incluí-la neste teste específico, em período de tensão elevada, reforça a leitura de que a jovem está sendo apresentada à cúpula militar do regime.
Kim Yo-jong endurece o tom
Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un e uma das figuras mais influentes do regime, emitiu alerta formal na terça-feira. Ela afirmou que os exercícios revelam a “repulsa inveterada” dos EUA e da Coreia do Sul e prometeu que o Norte “convencerá os inimigos de nossa dissuasão bélica”.
Sucessão no horizonte
A inteligência sul-coreana avaliou no mês passado que Kim Jong-un estaria próximo de designar Kim Ju-ae como sua sucessora oficial. A jovem é apresentada em eventos de alto perfil desde o final de 2022 — desfiles militares, lançamentos de armas e, agora, testes navais.
A estratégia de expô-la em momentos de demonstração de força sugere não apenas a consolidação de sua imagem interna, mas a construção de legitimidade junto às Forças Armadas norte-coreanas — base essencial de qualquer liderança em Pyongyang.
O Freedom Shield, iniciado na segunda-feira (9), é predominantemente um exercício simulado por computador em posto de comando, acompanhado por treinamento de campo.
A Coreia do Norte historicamente usa esses períodos como janela para acelerar seu programa de armamentos e enviar sinais à comunidade internacional.