O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, entrou no debate sobre o fim da escala 6×1 com um alerta direto: a proposta pode aumentar o desemprego e empurrar milhões de trabalhadores para a informalidade.
Em entrevista ao Conexão GloboNews nesta terça-feira (10), Skaf repercutiu estudo da Fiep com a Tendências Consultoria e defendeu que qualquer mudança nas regras de jornada passe pela negociação livre entre trabalhadores e empregadores — sem interferência do governo.
A proposta em discussão no Congresso prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas e acabar com o modelo de trabalho 6×1, que obriga o empregado a trabalhar seis dias consecutivos antes de ter um de folga.
Riscos apontados pela indústria
Skaf destacou que o foco deveria estar em combater a informalidade — que hoje atinge 37,5% da população ocupada no país, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores. Para ele, alterar regras que funcionam pode agravar o problema em vez de resolvê-lo.
O levantamento citado pelo presidente da Fiesp, conduzido pela Fiep em parceria com a Tendências Consultoria, projeta queda de até 3,7% no PIB já no primeiro ano de vigência da medida — e acumulado de 4,9% em cinco anos.
“É um erro a interferência governamental em algo que poderá atrapalhar os setores e o trabalhador”, afirmou Skaf, reforçando que a negociação direta entre partes seria o caminho mais eficiente.
Para sustentar o argumento, ele trouxe o exemplo do Chile, onde reformas similares resultaram em aumento do desemprego e da informalidade. Na sua avaliação, impor regras sem dar liberdade de negociação empurra atividades para fora da legalidade: “As atividades continuam acontecendo, mas de forma ilegal”, disse.
Tensão política em torno da pauta
A pressão do setor produtivo contra a mudança cresce em meio à ameaça do ministro Luiz Marinho de acionar o regime de urgência constitucional para forçar o Congresso a votar o tema.
Em sentido oposto à livre negociação defendida por Skaf, Lula propôs um acordo tripartite entre governo, empresários e trabalhadores para definir as novas regras por categoria profissional — uma saída que o presidente da Fiesp também não endossa.
Skaf defende que cada segmento tem características próprias e que a natureza de certas atividades exige escalas flexíveis. A imposição de uma regra uniforme, argumenta, desconsidera as diferenças setoriais e pode levar empresas a buscar saídas na informalidade — exatamente o fenômeno que o projeto diz querer combater.