O dólar abriu a quarta-feira (11) praticamente estável, com alta de 0,02%, negociado a R$ 5,1581 — enquanto investidores monitoram uma virada brusca no mercado de petróleo e aguardam dados econômicos que podem reorientar as apostas globais.
Na terça-feira, o barril do petróleo despencou mais de 11% — a maior queda percentual em um único dia desde 2022. O tombo ocorreu depois que Donald Trump afirmou que o conflito com o Irã poderia ter um desfecho mais rápido do que o estimado anteriormente.
Nesta quarta, as cotações voltaram a subir, mas bolsas europeias e asiáticas operavam em queda. No Brasil, a agenda inclui dados de vendas no varejo de janeiro; nos EUA, o CPI de fevereiro.
Do pico de US$ 120 ao tombo de 11%
Nos dias que antecederam o pregão desta quarta, o petróleo havia disparado até 30%, com o barril se aproximando de US$ 120 — patamar que sinalizava uma crise de abastecimento severa. O movimento foi impulsionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelos temores crescentes com a guerra no Oriente Médio, que entrava na segunda semana sem sinal de trégua.
A escalada tem raiz nas primeiras semanas do conflito: quando o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, o petróleo ultrapassou US$ 82 pela primeira vez e o dólar escalou a R$ 5,31 — ponto de partida de uma série de altas que levaria o barril a quase US$ 120. Na segunda-feira, o barril já superava US$ 110 e o dólar operava a R$ 5,27, com o estreito fechado na segunda semana sem trégua — contexto que explica por que a queda de 11% na terça surpreendeu tanto os mercados.
A virada veio quando Trump afirmou esperar um desfecho para o conflito mais rápido do que as quatro a cinco semanas estimadas. A sinalização foi suficiente para derrubar mais de 11% das cotações em um único pregão.
Ceticismo persiste apesar da queda
Mesmo com o recuo expressivo, investidores seguem cautelosos. O mercado questiona se a liberação de volumes recordes de reservas estratégicas anunciada pela Agência Internacional de Energia (AIE) será suficiente para compensar eventuais interrupções no abastecimento global.
Do lado da oferta, produtores do Oriente Médio ainda não retomaram a produção em larga escala e os custos de transporte da commodity devem permanecer elevados — fatores que continuam sustentando a volatilidade no mercado de energia.
Sinais contraditórios ampliam a incerteza: enquanto Trump acenou com possível fim rápido do conflito, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o general Dan Caine indicaram que os ataques contra o Irã estariam se intensificando. Autoridades iranianas também ameaçaram manter restrições ao fornecimento de petróleo na região.
Mercados globais fecharam em alta na terça
A maioria dos mercados internacionais encerrou a terça-feira em alta, depois de dias de oscilações intensas ligadas ao conflito no Oriente Médio. A queda do petróleo aliviou parte das preocupações com o impacto da energia mais cara sobre a economia global.
A exceção foi Wall Street, onde os índices fecharam mistos: o Dow Jones cedeu 0,07%, a 47.706 pontos; o S&P 500 recuou 0,21%, a 6.781 pontos; e o Nasdaq avançou 0,01%, a 22.697 pontos.
Na Europa, o STOXX 600 subiu 1,82%, com destaque para o DAX de Frankfurt (+2,39%), o FTSE 100 de Londres (+1,59%) e o CAC 40 de Paris (+1,79%), que recuperaram parte das perdas acumuladas durante a escalada da guerra.
Na Ásia, os mercados também ganharam terreno após a fala de Trump. O Nikkei de Tóquio liderou com alta de 2,88%, seguido pelo Hang Seng de Hong Kong (+2,17%), pelo CSI300 (+1,28%) e pelo índice de Xangai (+0,65%). A China também elevou os preços máximos de gasolina e diesel, acompanhando a alta do petróleo registrada com o fechamento do Estreito de Ormuz.
Agenda doméstica desta quarta
No Brasil, além das vendas no varejo de janeiro, será divulgada nesta quarta uma nova pesquisa Genial/Quaest sobre as eleições presidenciais de 2026. O levantamento também avaliará os efeitos recentes do Caso Master sobre a confiança no Supremo Tribunal Federal.