A China fez um alerta formal aos Estados Unidos nesta quarta-feira (11) sobre os riscos da militarização da inteligência artificial. Pequim comparou o cenário em construção ao apocalipse do filme O Exterminador do Futuro, onde máquinas assumem o controle.
O aviso chega em meio a um impasse entre o governo Trump e a Anthropic, empresa que se recusa a liberar sua IA para uso militar irrestrito — incluindo vigilância em massa e automatização de ataques letais.
Na semana passada, o Pentágono incluiu a Anthropic em sua lista de empresas consideradas risco à segurança nacional, exigindo que fornecedores suspendam imediatamente o uso do Claude.
O alerta de Pequim
“Continuar a militarização desenfreada da inteligência artificial, usá-la como ferramenta para violar a soberania de outras nações e deixar que algoritmos exerçam poder de vida ou morte sobre seres humanos corre o risco de levar à perda do controle tecnológico“, afirmou Jiang Bin, porta-voz do Ministério da Defesa da China.
A referência ao Exterminador do Futuro — filme de 1984 estrelado por Arnold Schwarzenegger que retrata robôs controlados por IA lutando contra humanos em 2029 — não é gratuita. Pequim mira diretamente na estratégia americana de integrar sistemas autônomos às operações de combate.
A briga com a Anthropic
O governo Trump exige acesso irrestrito ao Claude para usos como vigilância em massa e automatização de bombardeios. A empresa se recusa. O Pentágono respondeu incluindo a Anthropic em sua lista de risco de cadeia de suprimentos, obrigando todos os fornecedores a cortar o uso da tecnologia da empresa.
O impasse tem raízes numa disputa que se arrasta há semanas: a Anthropic chegou a retomar negociações com Washington sobre o uso militar do Claude — tentativa que não evitou o banimento formal pelo Pentágono.
A punição acelerou mudanças mais amplas: o governo americano passou a exigir que toda empresa de IA conceda uma licença irrevogável para uso irrestrito de seus sistemas pelas forças armadas dos EUA.
Segundo múltiplos veículos de comunicação, tecnologias da Anthropic foram utilizadas na preparação da ofensiva israelense-americana contra o Irã — operação que desencadeou uma guerra no Oriente Médio.
Batalha judicial e disputa global
A Anthropic não aceitou a classificação passivamente: abriu dois processos judiciais simultâneos para reverter a decisão do Pentágono de enquadrá-la como risco à cadeia de suprimentos de defesa.
O debate vai além da empresa. O alerta chinês chega num momento em que os EUA avaliam regras que forçariam toda a indústria de IA a abrir suas tecnologias para uso militar sem limitações — uma mudança que poderia redesenhar acordos de licenciamento e ética em toda a área.
Para Pequim, o cenário atual já representa um precedente perigoso: uma potência usando IA para decisões de guerra e bombardeios sem supervisão humana adequada. A comparação ao Terminator pode parecer dramática — mas o alerta é político e direto.