O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (9) atacar o Irã “vinte vezes mais forte” caso o país bloqueie o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
A declaração foi publicada na Truth Social em meio à alta do barril de petróleo, que se aproximou de US$ 120 e derrubou bolsas ao redor do mundo.
A rota estratégica é responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial de petróleo e fica sob influência iraniana no Golfo Pérsico.
Na Truth Social, Trump disse que o Irã pode receber “morte, fogo e fúria” caso interfira na passagem de navios pelo estreito. “Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, será atingido pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS FORTE do que foi até agora”, publicou.
Mais cedo, em entrevista à CBS News, Trump afirmou que avalia tomar o controle do Estreito de Ormuz e destruir o país caso haja interferência. “Se fizerem qualquer coisa errada, será o fim do Irã e vocês nunca mais ouvirão esse nome novamente”, disse.
Petróleo, mercados e eleições no radar
Trump ainda classificou o anúncio como um “presente” para a China e para todos os países dependentes da rota marítima. A escalada dos preços pode impactar diretamente a economia americana e influenciar as eleições de novembro nos EUA.
Na mesma entrevista à CBS, o presidente afirmou que a guerra contra o Irã deve acabar em breve, pois está “praticamente concluída”. Após essas declarações, as cotações do petróleo passaram a recuar.
O peso estratégico do Estreito de Ormuz
Localizado entre Omã e o Irã, o Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, além de grande parte do gás natural exportado pelo Catar. Qualquer conflito na região impacta diretamente os preços da energia e os mercados globais.
Até o momento das declarações, os EUA já haviam afundado 17 embarcações iranianas e atingido mais de 2 mil alvos em território iraniano — a base de operações sobre a qual Trump prometeu agir “vinte vezes mais forte”.
Desde a Antiguidade, a passagem conectava a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. No século XX, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou sua relevância estratégica. Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), navios petroleiros foram atacados e os EUA passaram a escoltar embarcações pela região.
Desde então, o estreito permanece como um dos principais focos de tensão geopolítica. O Irã já ameaçou fechá-lo em resposta a sanções e conflitos com os EUA e Israel, embora nunca tenha interrompido a navegação por períodos prolongados.