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TikTok viraliza vídeos que simulam agressão a mulheres após rejeição amorosa

Trend 'treinando caso ela diga não' acumula 175 mil interações e leva deputada a acionar o MP

Uma tendência viral no TikTok normaliza a violência contra mulheres que recusam propostas amorosas. Vídeos com a legenda “treinando caso ela diga não” simulam reações agressivas — socos, golpes de faca e movimentos de luta — após cenas de pedido de namoro ou casamento.

O g1 mapeou 20 publicações entre 2023 e 2025 com mais de 175 mil interações. A trend ganhou força no Brasil no final de 2025, período em que o país registrou o maior número de feminicídios da série histórica.

Engajamento que supera o conteúdo educativo

O formato é simples: o criador encena um pedido de namoro ou casamento, a tela exibe “treinando caso ela diga não” e, na sequência, aparece uma simulação de agressão. Socos em objetos, encenações com facas e movimentos de luta figuram entre as variações registradas nos vídeos, publicados por perfis com 883 a 177 mil seguidores.

Para a pesquisadora Raquel Saraiva, presidente do IP.rec (Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife), esse tipo de conteúdo se espalha com mais facilidade do que material educativo sobre violência de gênero — justamente porque gera alto engajamento nas plataformas. Ela aponta ainda que as próprias políticas das redes proíbem conteúdos que incentivem violência, mas que a moderação falha na prática. O TikTok não respondeu à reportagem.

O formato surgiu fora do Brasil. Um vídeo com a legenda em inglês “Me practicing just in case she says no”, publicado em março de 2025, acumulava mais de 115 mil curtidas antes de ser replicado por criadores brasileiros — com pequenas variações na encenação, mas a mesma estrutura de resposta violenta à rejeição.

A trend ocorre em um contexto de escalada: o Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica segundo o Ministério da Justiça, numa média de quatro mulheres assassinadas por dia. Metade dos casos ocorre em municípios sem delegacia especializada ou casa-abrigo.

Casos reais expõem a letalidade da rejeição

Enquanto os vídeos circulam como entretenimento, a violência real contra mulheres que rejeitaram abordagens deixou rastros graves em 2025. No Rio de Janeiro, uma jovem de 20 anos sobreviveu após ser esfaqueada mais de 15 vezes dentro de casa por um homem que não aceitava a recusa. Em Pernambuco, uma jovem de 22 anos foi esfaqueada e teve o corpo incendiado por um ex-colega de trabalho após recusar um relacionamento.

Em Minas Gerais, uma mulher de 38 anos morreu após ser atacada com canivete durante a negociação de um celular — o agressor reagiu quando ela recusou um beijo forçado. Em 148 feminicídios de 2024, a vítima já tinha medida protetiva vigente, dado que reforça como a ameaça anterior ao crime costuma ser conhecida, mas raramente interrompida a tempo.

Resposta política e pressão por moderação

A repercussão levou a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) a acionar o Ministério Público. No ofício, ela denuncia o “uppercut meme” como tendência misógina que banaliza a violência de gênero e solicita investigação formal de perfis que publicaram os vídeos entre 2024 e 2025, além de maior rigor na moderação das plataformas. O MP ainda não respondeu.

Parte dos vídeos foi removida ou desapareceu dos resultados de busca do TikTok após a repercussão — sem confirmação se foram os próprios autores ou a plataforma. Nos comentários, usuários se dividem: enquanto parte critica o conteúdo por tratar violência como humor, alguns criadores respondem às críticas com emojis de risada ou afirmam que quem não gostar pode simplesmente ignorar.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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