A Polícia Federal abriu inquérito e derrubou perfis ligados à trend “treinando caso ela diga não”, que simula ataques violentos contra mulheres que recusam pedidos de namoro ou casamento.
A ofensiva foi confirmada nesta segunda-feira (9) pela Diretoria de Crimes Cibernéticos da PF, que mira a propagação dos vídeos no TikTok — onde acumularam mais de 175 mil interações.
Em paralelo, o Congresso debate acionar a Procuradoria-Geral da República contra os autores das publicações.
Como a trend funciona
Os vídeos seguem roteiro padrão: o criador encena um pedido de namoro ou casamento e exibe a frase “treinando caso ela diga não”. Depois, surgem as simulações de violência — socos em objetos, movimentos de luta e ataques com faca.
A tendência, que teve origem em inglês e foi rapidamente replicada por criadores brasileiros, acumulou mais de 175 mil interações antes de ser removida. Uma análise de 20 vídeos identificou perfis com entre 883 e 177 mil seguidores.
A violência não ficou restrita ao digital: no Rio de Janeiro, uma jovem que recusou um homem foi esfaqueada mais de 15 vezes e passou quase um mês internada até se recuperar.
Congresso pressiona PGR
Na terça-feira (10), a Comissão de Segurança Pública da Câmara votou requerimento do deputado Pedro Campos (PSB-PE) para que a PGR investigue as publicações com base em decisão do STF, que obriga plataformas a remover imediatamente conteúdos de apologia à violência.
Para Campos, a conduta dos influenciadores é “apologia ao crime” e tem como combustível uma “crise da masculinidade”. “O que temos visto é uma reação absurda à ocupação de espaços de poder pelas mulheres”, disse o deputado ao GloboNews Mais.
Plataformas sob pressão e recorde de feminicídios
Além dos criadores individuais, Campos defende que a investigação mire a estrutura das empresas de tecnologia. “Não podemos permitir que a disseminação de ideias que geram comportamentos violentos seja lucrativa ou facilitada pela falta de moderação”, afirmou o parlamentar.
O TikTok informou que os conteúdos violam as Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma assim que identificados.
A ação da PF ocorre em meio ao pior cenário de violência de gênero da história recente: em 2025, 1.470 mulheres foram mortas em feminicídios no Brasil, recorde absoluto segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.