A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira (10) que a chamada “chuva negra” registrada no Irã após ataques a instalações petrolíferas representa um perigo real para as vias respiratórias da população.
A agência da ONU apoia a recomendação das autoridades iranianas para que moradores permaneçam em casa enquanto incêndios em refinarias atingidas continuam lançando poluentes no ar de Teerã.
Na segunda-feira (9), Teerã ficou encoberta por uma densa fumaça negra após uma refinaria de petróleo ser atingida — episódio que integra uma série crescente de ataques contra a infraestrutura energética iraniana, parte da campanha conduzida por EUA e Israel.
A OMS recebeu vários relatos de chuva carregada de petróleo ao longo da semana. A agência mantém escritório no Irã e atua em conjunto com as autoridades locais em situações de emergência sanitária.
“A chuva negra e a chuva ácida que a acompanha são, de fato, um perigo para a população, principalmente para as vias respiratórias”, afirmou o porta-voz Christian Lindmeier, em coletiva de imprensa em Genebra.
Questionado se a OMS endossa a orientação iraniana para que as pessoas fiquem em casa, Lindmeier foi direto: “Considerando o que está em risco no momento — instalações de armazenamento e refinarias incendiadas —, essa é definitivamente uma boa ideia.”
Desde domingo (8), autoridades iranianas já orientavam moradores de Teerã a permanecer em casa por conta do risco de chuva ácida gerada pelos incêndios nos depósitos de combustível atacados, conforme reportagem anterior do Tropiquim.
Um vídeo enviado à Reuters por um membro da equipe da OMS mostrava uma pessoa limpando líquido preto na entrada de um escritório em Teerã, em 8 de março. A agência de notícias não conseguiu verificar as imagens de forma independente.
A chuva negra tem origem nos poluentes liberados pelos incêndios — dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio —, que reagem com o vapor d’água na atmosfera e formam compostos ácidos que retornam ao solo com as precipitações. A cobertura anterior do Tropiquim sobre as explosões em Teerã detalhou o processo químico por trás do fenômeno.
O risco é especialmente elevado para grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias preexistentes. A OMS não divulgou dados sobre casos de intoxicação ou internações relacionados ao episódio até o momento da publicação.