Líderes das Forças Armadas têm recorrido à crise institucional do STF para tentar blindar militares condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro.
Em conversas reservadas com ministros do Supremo, representantes das cúpulas militares argumentam que a Corte vive um momento de desgaste moral — e que suas decisões não deveriam embasar a declaração de “indignidade do oficialato” no STM.
A estratégia foi apurada junto a fontes do STF e reforça o temor, já circulante entre ministros, de que a crise da Corte contamine outros julgamentos institucionais.
O argumento e o timing
O pano de fundo escolhido pelos militares não é aleatório. As revelações do caso Master — que envolvem questionamentos éticos sobre integrantes do STF — forneceram a brecha que parte da cúpula das Forças decidiu explorar nos bastidores.
Segundo fontes ouvidas pelo blog, militares têm dito diretamente a ministros que seria contraditório declarar oficiais “indignos do oficialato” com base em decisões de um tribunal que, na visão deles, estaria ele próprio sob crise de credibilidade moral.
O STM deve julgar se os militares condenados pelo STF pelos atos golpistas de 8 de janeiro perdem suas patentes. A perda do posto, além do impacto simbólico, implica consequências diretas em aposentadorias e benefícios.
O almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, já protocolou defesa no STM argumentando que o tribunal militar deve fazer avaliação ética própria antes de qualquer decisão — e que a condenação no STF não implica automaticamente a perda do posto, conforme revelou o Tropiquim.
Lula e a pressão dos comandantes
A movimentação não se limita ao STF. Conforme revelou o jornalista Merval Pereira no Estúdio i da Globonews, comandantes das Forças também levaram ao presidente Lula preocupações relacionadas à crise provocada pelo caso Master.
A crise que os militares exploram tem raiz nas revelações sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, que levantaram suspeitas de advocacia administrativa e aprofundaram o desgaste da Corte, como analisou o Tropiquim.
Entre os militares que aguardam o desfecho no STM está o ex-presidente Jair Bolsonaro, que arrisca perder a patente de capitão reformado. Sua defesa protocolou argumentos no tribunal militar invocando condecorações e o entendimento de que seus atos foram praticados na condição de presidente, não de militar — conforme noticiou o Tropiquim.
Para ministros do Supremo, o movimento é lido como uma tentativa coordenada de usar a fragilidade momentânea da Corte para reverter ou atrasar decisões que já transitaram em julgado.