A Volkswagen, maior montadora da Europa, registrou queda de mais de 50% no lucro operacional em 2025, atingindo 8,9 bilhões de euros — abaixo da estimativa de analistas, que projetavam 9,4 bilhões.
O resultado foi afetado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela crescente concorrência local no mercado chinês. O grupo, que inclui Porsche e Audi, projeta margem operacional entre 4% e 5,5% para 2026.
Margem operacional no menor nível em anos
Em 2025, a margem operacional ajustada da Volkswagen ficou em 2,8%, queda expressiva frente aos 5,9% registrados no ano anterior. Para o diretor financeiro Arno Antlitz, o número “ainda não é suficiente no longo prazo”, e a empresa manterá medidas rigorosas de controle de custos.
A receita do grupo permaneceu praticamente estável, em 322 bilhões de euros. Para 2026, a projeção é de crescimento entre 0% e 3%. Analistas consultados pela Visible Alpha estimam margem de 5,2% — no teto da faixa indicada pela própria companhia.
As tarifas norte-americanas geraram custos bilionários ao grupo, enquanto marcas locais avançam sobre o espaço da Volkswagen na China. O ambiente no país já era de cautela: a China havia reduzido sua meta de crescimento ao menor patamar desde 1991, reconhecendo os desafios estruturais que pesam sobre sua economia — os mesmos que corroem a presença da montadora no maior mercado automotivo do mundo.
Na Porsche, a situação foi particularmente grave. O braço esportivo interrompeu em 2025 o avanço de sua transição para veículos elétricos diante da demanda fraca, contribuindo diretamente para o colapso dos seus resultados operacionais.
Corte de empregos e críticas dos sindicatos
O grupo pretende eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. Um programa de reestruturação na Porsche acompanha o plano — a marca registrou queda de 98% no lucro operacional em 2025, que desabou para apenas 90 milhões de euros.
Em contrapartida, o fluxo de caixa líquido surpreendeu positivamente: 6 bilhões de euros em 2025, resultado muito superior à previsão inicial, que apontava para um valor próximo de zero. O dado impulsionou as ações da companhia na bolsa.
Os sindicatos reagiram com críticas, questionando como a empresa pode registrar esse caixa enquanto promove cortes expressivos de postos de trabalho. Antlitz defendeu as medidas, afirmando que os lançamentos de novos produtos e a reestruturação iniciada em 2025 tornaram o grupo mais resistente às turbulências do mercado global.