O dólar abriu a sessão desta terça-feira (10) cotado a R$ 5,1751, alta de 0,21% em relação ao fechamento anterior, enquanto os mercados globais ensaiavam estabilização após dias de forte turbulência provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
A virada no humor dos investidores veio das declarações do presidente Donald Trump, que afirmou em entrevista à CBS que a guerra está “praticamente concluída” e acenou com a possibilidade de flexibilizar sanções sobre o petróleo iraniano e russo.
Petróleo recua após disparada de até 30%
Nos últimos dias, o barril de petróleo chegou a avançar até 30%, aproximando-se de US$ 120, pressionado por ataques a campos de produção no sul do Iraque e na região autônoma curda, no norte do país. Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram a oferta após sofrer ataques iranianos em seus territórios.
Na véspera, as bolsas globais haviam tombado com Seul caindo quase 6% e o petróleo atingindo US$ 120 — o pano de fundo de tensão que fez os mercados reagirem positivamente às sinalizações de Trump sobre o fim próximo do conflito.
Ao longo da segunda-feira, sinais de que o G7 estuda liberar parte de suas reservas estratégicas e a possibilidade de redução das sanções sobre o petróleo russo ajudaram a conter a alta da commodity. Um alívio das sanções poderia compensar eventual queda na oferta dos países em conflito. Ainda assim, a normalização do transporte pelo Estreito de Ormuz — uma das principais rotas petrolíferas do mundo — segue sem prazo definido.
Focus mantém inflação e prevê Selic a 12,13% no fim de 2026
No campo doméstico, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (9) manteve a projeção de inflação em 3,91% para 2026. Para 2027, a estimativa subiu marginalmente, de 3,79% para 3,80%.
A taxa Selic, mantida em 15% ao ano pelo BC no mês passado — o maior nível em quase duas décadas —, deve recuar nos próximos anos. Para o fim de 2026, a previsão subiu levemente de 12% para 12,13% ao ano; para 2027, manteve-se em 10,50%. O PIB deve crescer 1,82% em 2026, e a projeção para o dólar ao fim do ano recuou de R$ 5,42 para R$ 5,41.
Wall Street sobe; Europa e Ásia fecham no vermelho
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street reverteram as perdas do início da sessão. O Dow Jones avançou 0,50%, o S&P 500 subiu 0,83% e o Nasdaq Composite fechou em alta de 1,38%, impulsionados pelas declarações de Trump e pela pressão menor nos preços do petróleo.
Na Europa, preocupações com a inflação penalizaram os principais mercados após o barril flirtar com a faixa dos US$ 100 durante o pregão. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,63%, o CAC-40 parisiense cedeu 0,98% e o DAX de Frankfurt perdeu 0,77%.
A Ásia registrou as maiores perdas da sessão. Em Tóquio, o Nikkei despencou 5,2%, para 52.728 pontos; em Seul, o KOSPI caiu 5,96%, a 5.251 pontos; e em Taiwan, o TAIEX cedeu 4,43%, a 32.110 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,35%, a 25.408 pontos, enquanto o SSEC de Xangai perdeu 0,67%.
Na abertura de segunda-feira, o dólar havia chegado a R$ 5,2721 com o petróleo acima de US$ 110 — o recuo a R$ 5,17 nesta terça reflete o alívio trazido pelas declarações do presidente americano sobre o desfecho da guerra.