Três anos após o segundo turno mais acirrado da história recente, a convicção do eleitorado brasileiro permanece intacta. Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (9) mostra que 9 em cada 10 entrevistados não se arrependem do voto que deram para presidente em 2022.
Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas em 137 municípios, nos dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança.
A fidelidade ao voto é quase uniforme entre os dois campos políticos. Entre os eleitores de Lula, 89% afirmam não se arrepender da escolha feita em outubro de 2022 — e 11% disseram o contrário. Do lado bolsonarista, o índice de lealdade é levemente maior: 91% mantêm a posição, enquanto 8% declararam arrependimento.
O Datafolha fez a pergunta diretamente: “Você se arrependeu ou não do seu voto para presidente em 2022?”. A formulação deixou ao entrevistado o julgamento retrospectivo, sem sugestão de resposta.
Lula venceu o pleito de 2022 com 50,9% dos votos válidos no segundo turno, contra 49,1% de Bolsonaro — a margem mais estreita desde a redemocratização.
A fidelidade ao voto, porém, convive com insatisfação crescente: na mesma rodada de março, a rejeição ao governo Lula chegou a 40% — três pontos acima do registrado em dezembro.
O que os números revelam sobre 2026
O resultado reforça a solidez dos blocos eleitorais formados em 2022, com baixa permeabilidade entre os campos. A diferença de dois pontos nos índices de arrependimento — 11% entre petistas e 8% entre bolsonaristas — fica dentro da margem de erro da pesquisa, tornando os dois grupos estatisticamente equivalentes em termos de fidelidade.
O dado tem implicações diretas para a disputa presidencial de 2026: na mesma pesquisa, Flávio Bolsonaro encostou em Lula nas simulações de segundo turno, reduzindo a vantagem do petista de 15 para apenas 3 pontos.
O levantamento também sugere que, apesar das oscilações de popularidade ao longo do terceiro mandato, os eleitores que escolheram Lula em 2022 ainda sustentam a decisão quando confrontados retrospectivamente com aquele voto.