A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados vota nesta terça-feira (10) um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República investigue vídeos virais em que homens simulam agredir mulheres após serem rejeitados.
O pedido é do deputado Pedro Campos (PSB-PE), que exige responsabilização criminal por apologia à violência. A tendência ganhou força no Dia da Mulher, em 8 de março.
A trend “caso ela diga não”
Batizada de caso ela diga não, a tendência viralizou no Dia da Mulher convidando homens a encenar como reagiriam à recusa de um pedido de casamento. As reações gravadas envolvem condutas agressivas, ameaçadoras e violentas — caracterizadas pelo parlamentar como normalização da violência de gênero no ambiente digital.
O Tropiquim mapeou ao menos 20 publicações com mais de 175 mil interações entre 2023 e 2025, período em que o Brasil registrou um recorde histórico de feminicídios. A trend foi diretamente associada a esse cenário de escalada da violência contra a mulher.
O requerimento vai além da abertura de inquérito: Pedro Campos solicita que as plataformas digitais sejam interpeladas a fornecer dados sobre o alcance das publicações, a identidade dos autores e as medidas administrativas já adotadas para conter a disseminação do conteúdo.
STF, plataformas e expectativa de aprovação
A investigação encontra respaldo em decisão do Supremo Tribunal Federal que, desde 2025, determina a remoção imediata, pelas redes sociais, de conteúdos que façam apologia à violência. O requerimento cita esse precedente como base legal para enquadrar a trend na obrigação de retirada das plataformas.
O texto está pautado para votação simbólica na comissão, com expectativa de aprovação. Se referendado pelos deputados, o pedido formal seguirá à PGR para início das investigações criminais contra os envolvidos na criação e disseminação dos vídeos.
A votação acontece numa semana marcada pelo Dia Internacional da Mulher e sob pressão crescente por respostas institucionais à cultura de violência online. O debate ganhou força no Congresso diante do aumento dos casos de feminicídio no país.