A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado cancelou nesta terça-feira (10) a sessão que ouviria o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso desde quarta-feira (4) em São Paulo.
Vorcaro havia combinado, antes da detenção, que compareceria voluntariamente à comissão — o ministro do STF André Mendonça já havia declarado que a participação era facultativa.
Sessão já havia sido adiada a pedido da defesa
A reunião foi remarcada antes mesmo da prisão de Vorcaro. O encontro, inicialmente marcado para 3 de março, foi transferido para o dia 10 a pedido da defesa do banqueiro.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), entendia que a autorização do ministro André Mendonça para Vorcaro comparecer à comissão continuava válida mesmo após a prisão. Calheiros chegou a apontar que a transferência do banqueiro para a Penitenciária Federal de Brasília poderia facilitar a audiência, eliminando o impasse logístico de trazê-lo de São Paulo à capital.
Três frentes do Congresso buscam o depoimento
Além da CAE, a CPMI do INSS e a CPI do Crime Organizado também tentam ouvir Vorcaro. Na CPMI, a convocação foi aprovada em janeiro, com data inicial marcada para 5 de fevereiro — adiada sucessivamente para 19 de fevereiro, 26 de fevereiro e, por um momento, antecipada para 23.
Com a decisão do STF tornando facultativa a presença do banqueiro, Vorcaro informou que não prestaria mais depoimento à CPMI. A prisão na última quarta também levou ao cancelamento da reunião da CPI do Crime Organizado que estava programada para ouvi-lo.
Vorcaro foi detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. O próprio ministro Mendonça havia autorizado a prisão preventiva e o bloqueio de R$ 22 bilhões no âmbito da operação.
Na sexta-feira (6), o banqueiro foi transferido para Brasília e está detido na Penitenciária Federal da capital. A Polícia Federal solicitou a remoção imediata, alegando necessidade premente de tutela da integridade física do custodiado — pedido atendido pelo próprio Mendonça.
Na véspera da prisão, Mendonça já havia tornado facultativa a ida de Vorcaro à CPI do Crime Organizado, repetindo o padrão adotado anteriormente na CPMI do INSS e na própria CAE.
Com a pauta da CAE esvaziada, o próximo capítulo será no STF: a Segunda Turma marcou para 13 de março a revisão da decisão que mantém Vorcaro detido, o que pode redefinir todo o cenário das oitivas parlamentares.