O PSOL decidiu neste sábado (7) apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno de 2026, abrindo mão de lançar candidato próprio à presidência. A decisão veio acompanhada de uma recusa: o partido rejeitou a proposta de ingressar na federação PT–PCdoB–PV.
A justificativa é política: para a legenda, enfrentar e derrotar a extrema-direita exige unidade, e essa prioridade se sobrepõe a qualquer disputa interna da esquerda neste ciclo eleitoral.
A resolução foi aprovada pelo Diretório Nacional reunido neste sábado. Na mesma ocasião, o PSOL renovou por mais quatro anos sua federação com a Rede Sustentabilidade — parceria que, segundo nota oficial, teve balanço positivo e será importante para superar a cláusula de barreira nas eleições deste ano.
Um dos principais defensores da federação com o PT era o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. A proposta, porém, não prosperou: o PSOL optou por manter autonomia política em vez de se unir formalmente à aliança petista.
Como funcionam as federações partidárias
Federações unem dois ou mais partidos por no mínimo quatro anos. Os filiados passam a atuar como uma só legenda nos cálculos de distribuição de recursos e tempo de televisão. A principal restrição é que a federação decide candidaturas de forma conjunta — cada sigla perde a liberdade de lançar candidatos independentes nos cargos do Executivo.
A decisão do PSOL veio no mesmo dia em que o Datafolha mostrava Flávio Bolsonaro encostando em Lula — a vantagem do presidente no segundo turno encolheu de 15 para apenas 3 pontos em menos de noventa dias, reforçando o argumento da legenda de que derrotar a extrema-direita exige unidade já no primeiro turno.
A resolução aprovada pelo PSOL elege como prioridade estratégica a ampliação das bancadas de esquerda no Congresso Nacional, em contraposição ao que o partido chama de "bloco do Centrão e da direita".
No texto oficial, a legenda afirma que o Congresso "funciona como escritório político dos bancos, do ruralismo e dos donos do capital" e que eleger parlamentares "combativos e socialistas" pelo país é uma necessidade para "virar o jogo em favor do andar de baixo".
Cenário eleitoral adverso para Lula
O apoio do PSOL foi selado em meio a um quadro desafiador para o presidente. Segundo o Datafolha divulgado no mesmo dia, 46% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula — o maior índice de rejeição entre todos os pré-candidatos testados.
Para o PSOL, no entanto, o diagnóstico reforça — e não enfraquece — a tese de que a esquerda precisa se apresentar unida desde o primeiro turno para ter chance real de derrotar a oposição de direita em 2026.