O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou neste sábado (7) que a exigência dos Estados Unidos por rendição incondicional é “um sonho que deveriam levar para o túmulo”. Em pronunciamento gravado e transmitido pela TV estatal, ele também pediu desculpas pelos ataques iranianos a países vizinhos e prometeu interrompê-los.
Os comentários ocorreram enquanto forças do Irã bombardeavam Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos na madrugada do mesmo dia — ao mesmo tempo em que Israel e os EUA mantinham ofensivas aéreas sobre território iraniano.
Conflito se alastra pelo Golfo
Em Dubai, explosões foram ouvidas na manhã de sábado e o governo ativou as defesas aéreas. O Aeroporto Internacional de Dubai encaminhou passageiros para os túneis subterrâneos após o alerta soar, e a Emirates suspendeu todos os voos até novo aviso. A Arábia Saudita destruiu drones que se dirigiam ao campo petrolífero de Shaybah e abateu um míssil balístico lançado contra a Base Aérea Príncipe Sultan, onde há tropas americanas. Sirenes também soaram no Bahrein após ataques iranianos atingirem o reino insular.
A expansão dos ataques iranianos ao Golfo não surgiu do nada: um analista da Al Jazeera alertou que o Irã cometeu “um erro de cálculo estratégico de proporções históricas” ao ampliar o conflito para seus vizinhos árabes — fazendo exatamente o que Israel não conseguia sozinho.
O ministro da Energia do Catar alertou ao Financial Times que a guerra pode “derrubar as economias do mundo”. O barril de petróleo bruto americano ultrapassou US$ 90 na sexta-feira pela primeira vez em mais de dois anos, com projeções de alta até US$ 150 caso as exportações do Golfo sejam paralisadas.
Escalada americana e aliança nuclear
Em publicação nas redes sociais, Donald Trump declarou que não haverá acordo “exceto a RENDIÇÃO INCONDICIONAL”. O governo americano aprovou venda de US$ 151 milhões em armas para Israel, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que a maior campanha de bombardeios do conflito ainda estava por vir.
O ministro da Defesa da Arábia Saudita e o chefe do Exército do Paquistão — que possui arsenal nuclear e um pacto de defesa mútua com Riade — se reuniram para discutir como conter os ataques iranianos. Dois funcionários americanos, sob anonimato, revelaram que a Rússia forneceu ao Irã informações de inteligência para ajudá-lo a atacar navios de guerra, aeronaves e outros ativos militares dos EUA na região — o primeiro indício de envolvimento de Moscou no conflito.
A sede da Assembleia de Especialistas — o conselho que agora discute como eleger o novo líder supremo do Irã — já havia sido alvo direto de bombardeios americanos e israelenses dias antes, conforme informou a TV estatal iraniana.
Mortes, deslocados e escola bombardeada
Os combates já mataram ao menos 1.230 pessoas no Irã, mais de 200 no Líbano, cerca de uma dúzia em Israel e seis soldados americanos, segundo autoridades dos respectivos países.
Novas informações — incluindo imagens de satélite e declarações de um oficial americano — sugerem que a explosão de 28 de fevereiro em uma escola na cidade iraniana de Minab foi causada por ataques aéreos dos EUA. Mais de 165 pessoas morreram, a maioria crianças. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que os EUA investigam o caso. Nenhum dos dois países assumiu responsabilidade.
No Líbano, ao menos 217 pessoas morreram e 798 ficaram feridas em ataques israelenses desde segunda-feira. O Hezbollah afirmou que seus combatentes entraram em confronto com forças israelenses que desembarcaram nas montanhas do leste do país. Dois hospitais em Beirute evacuaram pacientes e funcionários.
As ruas da capital libanesa ficavam congestionadas com pessoas em fuga, enquanto fumaça subia dos distritos do sul. “O que podemos fazer? Rezamos aqui debaixo da árvore. Durante a noite, dormimos no carro porque não há onde ficar”, disse Jihan Shehadeh, uma das dezenas de milhares de deslocados.
O presidente Pezeshkian escreveu nas redes sociais que “alguns países” iniciaram esforços de mediação, sem dar detalhes. O embaixador do Irã na ONU afirmou que o país tomará “todas as medidas necessárias” para se defender.