O Irã anunciou neste domingo (8) ter escolhido um novo líder supremo para substituir Ali Khamenei, morto em bombardeio americano-israelense em 28 de fevereiro. A decisão foi tomada pela Assembleia de Peritos, mas o nome do escolhido ainda não foi divulgado.
O membro do conselho Ahmad Alamolhoda confirmou a escolha em declaração à agência Mehr: “O líder supremo já foi escolhido”. O anúncio oficial depende do chefe do secretariado da Assembleia, Hosseini Bushehri, responsável por tornar pública a decisão.
Ameaça israelense paira sobre o novo líder
Militares israelenses foram explícitos ao afirmar que irão “perseguir todos os sucessores e qualquer pessoa envolvida na escolha de um novo líder”. A ameaça não é retórica: dias antes, o ministro da Defesa de Israel havia declarado oficialmente que qualquer pessoa a assumir a liderança suprema do Irã seria tratada como alvo militar.
Na terça-feira (3), o Exército israelense atacou um prédio ligado à Assembleia de Peritos em Qom, no sul do Irã, enquanto 88 aiatolás que compõem o órgão realizavam reunião no local. Quatro dias antes do anúncio, a própria Assembleia havia declarado estar “perto de uma decisão” — em circunstâncias sem precedentes, com sua sede em Qom atingida por um ataque israelense durante reunião dos aiatolás.
Com o nome ainda em sigilo, quatro clérigos haviam sido apontados como os principais cotados para a sucessão — entre eles Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá morto, e o líder interino Arafi.
Ataques seguem na capital iraniana
Na madrugada deste domingo, Israel atacou depósitos de combustível em Teerã, provocando um grande incêndio e deixando quatro mortos. Segundo a AFP, quatro depósitos de petróleo e um centro logístico foram atingidos, danificando a rede de abastecimento e interrompendo temporariamente a distribuição de combustível na capital.
O impacto da guerra já ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio: Bangladesh começou a racionar combustível por dificuldades de abastecimento ligadas ao conflito na região.
Quem foi Ali Khamenei
Nascido em 1939 em Mashhad, Khamenei chegou ao poder com a Revolução Islâmica de 1979 que derrubou o xá Reza Pahlavi. Sobreviveu a um atentado em 1981 que paralisou sua mão direita e foi eleito presidente com 95% dos votos. Desde a morte de Khomeini em 1989, liderou o Irã por mais de três décadas como chefe político e religioso — com poderes de vetar decisões presidenciais e demitir membros do governo sem aval do parlamento.
Em seu governo, o Irã financiou o Hezbollah e o Hamas numa estratégia de guerra por procuração contra Israel e o Ocidente. Internamente, reprimiu com violência protestos em 2009, 2019 e 2022 — este último deflagrado pela morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia moral iraniana.
Nos últimos anos, a insatisfação popular cresceu com a crise econômica: inflação alta, desemprego e exportações de petróleo encolhidas pelas sanções ao programa nuclear. Os ataques de junho de 2025 aprofundaram o colapso e geraram nova onda de protestos reprimida com violência e milhares de mortos.