A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal acesso integral aos elementos técnicos das perícias realizadas nos aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Compliance Zero.
O requerimento foi protocolado em 16 de fevereiro — antes mesmo da prisão de Vorcaro, decretada nesta semana em nova fase da operação. A divulgação de reportagens sobre mensagens extraídas dos dispositivos reforçou a urgência do pedido, segundo os advogados.
Análise autônoma como objetivo central
Na prática, os advogados querem conduzir uma perícia independente, com assistente técnico indicado pela própria defesa — direito previsto na legislação processual brasileira. O objetivo declarado é examinar as provas digitais com transparência e verificar se os procedimentos adotados na obtenção das mensagens respeitaram o devido processo legal.
Segundo a defesa, o pedido visa garantir a licitude dos procedimentos usados na coleta das evidências — o que implica questionar não apenas o conteúdo das mensagens, mas a própria cadeia de custódia das provas digitais reunidas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero.
O pedido de perícia independente se soma a outra frente aberta pela defesa no STF: a de obrigar a Polícia Federal a revelar os dados que embasaram a própria prisão preventiva do banqueiro — o mesmo conjunto de mensagens que os advogados agora querem examinar de forma autônoma. Saiba mais sobre o pedido de revelação das provas da prisão preventiva de Vorcaro.
Vazamentos seletivos e sigilo judicial
Paralelamente ao pedido técnico, a defesa reiterou preocupação com o que chamou de vazamentos seletivos de conteúdos sob sigilo judicial. Os advogados reafirmaram que qualquer material obtido será utilizado exclusivamente para fins processuais, com preservação integral do sigilo das informações.
A preocupação com os vazamentos já havia se materializado em ação concreta: a defesa protocolou no STF pedido para investigar a origem de cerca de 50 reportagens publicadas com base em dados supostamente sigilosos do caso. Leia sobre a ação da defesa para apurar os vazamentos do Caso Master.
A controvérsia sobre quem teve acesso ao material dos celulares de Vorcaro e em que momento perpassa diretamente o pedido de transparência da defesa. O ministro Dias Toffoli precisou negar publicamente ter consultado os dados durante sua relatoria — afirmando que o material só chegou ao STF em 12 de fevereiro, já sob a gestão de André Mendonça. Toffoli negou ter acessado dados do celular de Vorcaro na relatoria do Master.