O governo Trump autorizou nesta sexta-feira (6) a compra de ouro venezuelano por empresas americanas, em mais uma etapa da flexibilização das sanções contra Caracas desde a queda de Nicolás Maduro em janeiro.
A licença, publicada pelo Departamento do Tesouro, permite transações com a estatal Minerven e suas subsidiárias, com rastreabilidade obrigatória e vedação a repasses para Irã, Rússia, China, Coreia do Norte e Cuba.
As receitas das vendas deverão ir para um fundo supervisionado pelo Tesouro americano no Catar — o mesmo modelo já aplicado ao petróleo venezuelano.
Visita diplomática abre caminho para a licença
A divulgação ocorreu um dia após Doug Burgum, secretário do Interior de Trump, encerrar uma visita de dois dias à Venezuela. Burgum se reuniu com Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro e atual presidente interina, e informou que dezenas de empresas haviam demonstrado interesse em investir no país.
A licença do Tesouro foi publicada um dia após os dois países formalizarem o restabelecimento das relações diplomáticas, rompidas desde 2019 — acordo que também incluiu novas autorizações para mineradoras interessadas em operar no território venezuelano.
Restrições e mecanismo financeiro
Apenas empresas estabelecidas nos Estados Unidos podem realizar as transações e reexportar o metal. O documento prevê procedimento de rastreabilidade para assegurar a procedência venezuelana do ouro, enquanto países como Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e Cuba estão expressamente excluídos das operações — a mesma restrição que já vale para o petróleo do país.
As receitas geradas pelas vendas e os tributos associados devem ser depositados em fundo específico, atualmente supervisionado pelo Departamento do Tesouro e sediado no Catar.
Venezuela sob administração americana
O governo Trump afirma administrar de fato a Venezuela e controlar os vastos recursos naturais do país após a derrubada de Maduro por forças especiais americanas em 3 de janeiro. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados de avião para Nova York, onde respondem por acusações de narcotráfico.
Em fevereiro, o secretário de Energia Chris Wright tornou-se o primeiro alto funcionário americano a visitar a Venezuela após a mudança de governo — sinalizando o avanço das negociações sobre o setor energético do país.
Além do petróleo, a Venezuela concentra reservas expressivas de ouro, diamantes, bauxita e coltan, mineral estratégico usado na fabricação de computadores e celulares. O acesso americano a esses recursos tem potencial para impactar cadeias globais de suprimento de materiais críticos.