Publicações virais nas redes sociais afirmam que o governo Lula teria convocado o alistamento militar imediato de jovens que completam 18 anos em 2026, alegando relação com a guerra entre EUA, Israel e Irã. A informação é falsa.
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) desmentiu as publicações quando consultada pelo Fato ou Fake.
Como o boato ganhou força
O conteúdo falso se aproveitou de um cenário internacional de tensão real. A desinformação ganhou tração em meio ao conflito entre EUA e Irã, que levou Trump a acionar a produção emergencial de armamentos — contexto explorado para dar verossimilhança ao boato. Entenda como Trump mobilizou a produção de armas para o conflito com o Irã.
O alistamento militar no Brasil segue regras estabelecidas pela legislação do Serviço Militar. Jovens do sexo masculino que completam 18 anos passam pelo processo de alistamento obrigatório anualmente — procedimento rotineiro, sem qualquer vinculação a conflitos internacionais ou ordens presidenciais extraordinárias.
As publicações falsas circularam em grupos de WhatsApp e perfis no Instagram e X (antigo Twitter), misturando imagens de matérias reais sobre o conflito no Oriente Médio com alegações inventadas sobre uma suposta mobilização militar no Brasil.
Discurso real contradiz o boato
Na mesma semana em que o boato circulava, Lula discursava na FAO pedindo paz no Oriente Médio e criticando os trilhões de dólares gastos em armamentos — postura diametralmente oposta à de quem ordenaria alistamento militar imediato. Leia a cobertura do posicionamento de Lula sobre o conflito no Oriente Médio.
O padrão de desinformação segue uma fórmula conhecida: aproveitar um evento real — neste caso, o conflito entre EUA e Irã — para criar pânico em torno de decisões governamentais inexistentes. O objetivo é gerar medo e maximizar compartilhamentos em massa.
Antes de repassar conteúdos sobre convocações militares ou medidas emergenciais do governo, especialistas em segurança digital recomendam verificar diretamente em fontes oficiais, como o portal do Exército Brasileiro e o site do Governo Federal.