O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), anunciou sua pré-candidatura à presidência da República nas redes sociais, junto a um “manifesto ao Brasil” com propostas e críticas à polarização política.
Leite se posiciona como “terceira via” e afirma que o país está “dividido, fragmentado e concentrado em disputas ideológicas que não produzem solução”.
Ele disputa a preferência interna do PSD com outros dois governadores: Ratinho Júnior, do Paraná, e Ronaldo Caiado, de Goiás. O partido deve definir seu candidato único até abril.
Disputa interna no PSD
O PSD abriga um trio de presidenciáveis que disputam a indicação do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. Além de Leite, são pré-candidatos o governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado — que deixou o União Brasil em janeiro de 2026 para se filiar ao partido.
Kassab já descartou a realização de prévias para definir o nome. A decisão deve sair até abril, segundo expectativa do grupo. Leite, porém, pondera que o presidente da sigla não é o único agente do processo decisório.
O gaúcho migrou do PSDB para o PSD em maio de 2025. Na época, Ratinho Júnior já era cotado como pré-candidato. Com a chegada de Caiado no início deste ano, o partido passou a concentrar três nomes de peso na disputa presidencial.
Nesta sexta-feira (6) e nos dias seguintes, os três governadores devem estar juntos em São Paulo para acompanhar filiações de deputados estaduais paulistas ao PSD — agenda articulada pelo próprio Kassab.
O calendário eleitoral aperta dos dois lados: Alckmin confirmou que deixa o ministério em 4 de abril para entrar formalmente na corrida eleitoral, sinalizando que a disputa de 2026 já está em pleno movimento também no campo governista.
Manifesto e posicionamento público
No texto divulgado nas redes, Leite faz um alerta sobre transformações econômicas globais e defende que o país não pode permanecer preso em conflitos ideológicos. “Nada na história econômica moderna se compara ao impacto que estamos prestes a experimentar”, afirma o manifesto.
Em entrevista após participação no programa Jornal do Almoço, da RBS TV, o governador declarou ser crítico dos “dois campos que polarizam a eleição” e defendeu um “caminho alternativo” para o país.
Essa polarização já dava sinais concretos no cenário político: dias antes do manifesto, Lula transformou a abertura da Conferência Nacional do Trabalho em palanque eleitoral, pedindo votos abertamente ao público — exatamente o tipo de comportamento que Leite critica em seu discurso de renovação política.