Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e sua companheira Martha Graeff, em 13 de agosto de 2024, revelam que ele celebrou uma emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que beneficiaria diretamente o Banco Master.
O diálogo integra documentos analisados pela CPMI do INSS e mostra Vorcaro ciente da ação legislativa menos de duas horas após a criação do texto pelo parlamentar.
A emenda foi inserida como um jabuti na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central — jargão legislativo para trechos sem relação com o conteúdo principal. O senador Nogueira a apresentou em 13 de agosto de 2024, com registro de criação do documento às 17h57 e última modificação às 18h09.
Vorcaro enviou a mensagem comemorativa à namorada às 19h44 do mesmo dia — pouco mais de uma hora depois. A rapidez com que soube do movimento reforça suspeitas sobre a proximidade entre o banqueiro e o parlamentar. Três meses antes, em outra troca de mensagens, Vorcaro já demonstrava familiaridade com Nogueira.
O que a emenda previa
O texto propunha elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A mudança favoreceria especialmente o Banco Master, que adotava um modelo agressivo de captação baseado na emissão de CDBs lastreados pela garantia do FGC.
Com o teto mais alto, investidores teriam proteção ampliada em caso de colapso do banco, tornando os produtos do Master mais atrativos e sua operação mais blindada. A proposta ficou informalmente conhecida como emenda Master.
A emenda, porém, não prosperou. A PEC da Autonomia Financeira do Banco Central também não avançou — o texto segue parado no Senado até hoje, sem previsão de votação.
O senador Ciro Nogueira foi procurado, mas não retornou aos pedidos de esclarecimento até o fechamento da apuração.
As mensagens analisadas pela CPMI do INSS revelam mais do que articulações legislativas: em outros trechos do mesmo material, Vorcaro teria dado ordens de agressão a jornalistas e exposto uma relação suspeita com agentes do Banco Central.
Enquanto articulava a emenda que ampliaria a cobertura do FGC para o Master, o banqueiro também mantinha, segundo a Polícia Federal, uma rede de informantes dentro do próprio BC — dois ex-servidores são investigados por vazar informações sigilosas ao dono do Master, caso que agora será apurado pela Controladoria-Geral da União (CGU).