O Senado dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira (4) uma resolução bipartidária para limitar os poderes do presidente Donald Trump na guerra contra o Irã, no quinto dia de um conflito que já deixou mortos dos dois lados — incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
A proposta, apresentada pelo democrata Tim Kaine e pelo republicano Rand Paul, exige que as forças americanas se retirem da operação caso o Congresso não autorize formalmente a campanha militar.
A batalha constitucional por trás da votação
No centro do debate está uma disputa sobre quem tem autoridade para conduzir guerras. A Constituição americana reserva ao Congresso o poder de declarar guerra, mas uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção militar limitada para responder a uma emergência — como um ataque contra os Estados Unidos.
Trump invocou exatamente esse argumento ao anunciar a operação no sábado (28), alegando que o Irã representava uma ameaça "iminente". A oposição democrata não se convenceu.
"Nessa sala não foi apresentada nenhuma prova que sugerisse que os Estados Unidos enfrentavam uma ameaça iminente por parte do Irã", declarou Kaine à AFP após uma reunião confidencial com autoridades do governo, na terça-feira (3).
A aritmética no Senado
O Senado tem 53 republicanos e 47 democratas. Para a resolução passar, os democratas precisam convencer ao menos quatro republicanos a se unirem ao senador Rand Paul — que também assina a proposta.
Mas um democrata já avisou que votará contra: o centrista John Fetterman, da Pensilvânia, reduzindo ainda mais a margem dos favoráveis.
Mesmo que aprovada, a resolução provavelmente não sobreviverá a um veto presidencial — que exigiria dois terços dos votos em ambas as câmaras para ser derrubado, cenário considerado improvável no Congresso atual.
Apesar das poucas chances de sucesso, os democratas defendem o valor simbólico da votação: forçar cada senador a assumir publicamente uma posição sobre a guerra, independentemente do resultado.
A resolução é também sintoma de uma tensão mais ampla. Desde que voltou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump vem ampliando o controle do Executivo sobre decisões que historicamente passavam pelo Congresso. Enquanto o Senado debate freios ao presidente, a Casa Branca já discutia publicamente o papel dos EUA no Irã pós-conflito — sem qualquer consulta ao Legislativo.
A urgência dos senadores tem contexto direto: um dia antes da votação, Trump havia declarado ser "tarde demais" para negociar com Teerã, sinalizando uma guerra sem prazo para terminar e sem disposição de recuar.