Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal em São Paulo nesta quarta-feira (4) e não será transferido para Brasília num primeiro momento. Ele permanece no sistema prisional paulista, cumprindo medida cautelar privativa de liberdade determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
Das 111 unidades de celular apreendidas nas operações da PF — cinco delas pertencentes ao próprio Vorcaro —, apenas 10% foram submetidas à análise pericial até esta data. O material já examinado aponta, segundo investigadores, o perfil de um “banqueiro mafioso”.
Equipe reforçada corre contra o volume de evidências
A equipe de peritos responsável pela análise foi reforçada recentemente. O trabalho é conduzido de forma conjunta por analistas de São Paulo e Brasília, vinculados à Diretoria de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, com foco em todo o material telefônico e telemático das apreensões.
O volume é expressivo: além dos cinco aparelhos do próprio banqueiro, dezenas de outros dispositivos pertencentes a investigados cujos nomes foram surgindo ao longo das operações aguardam análise. Muito material já examinado está sendo convertido em subsídio para novas fases da investigação.
Servidores de diversos órgãos públicos entraram na mira dos inquéritos que apuram o caso Master e as ligações do dono do banco. Entre os alvos estão dois chefes do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, afastados após sindicância interna do próprio BC apontar que agiam a serviço de Vorcaro.
Mendonça decide sobre jurisdição em momento oportuno
O ministro André Mendonça ainda terá que decidir, futuramente, se remete ou não o caso Master à primeira instância da Justiça Federal. Pessoas próximas a ele indicam que, se as investigações apontarem envolvimento claro de suspeito com prerrogativa de foro, o inquérito continuará sob sua relatoria no Supremo.
A intenção declarada é garantir o máximo de transparência às decisões relacionadas ao Master, sem comprometer as apurações policiais em curso e as que ainda estão por vir.