A nova prisão de Daniel Vorcaro, na quarta-feira (4), colocou o Brasil nas manchetes internacionais. Financial Times, AP, Reuters e El País publicaram reportagens sobre o colapso do Banco Master, a estrutura de espionagem e as ameaças a jornalistas atribuídas ao banqueiro.
O caso foi descrito como a maior quebra bancária do Brasil em uma geração, com perdas estimadas em mais de R$ 40 bilhões. Vorcaro foi transferido para o Centro de Detenção de Guarulhos na manhã desta quinta-feira (5).
Como a imprensa global retratou o escândalo
O Financial Times foi o mais contundente: classificou o colapso do Banco Master como ‘maior quebra bancária do Brasil em uma geração’ e detalhou uma ‘célula de intimidação’ coordenada por Vorcaro. O jornal britânico também citou o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria após questionamentos sobre conflito de interesses.
A Associated Press chamou o grupo de Vorcaro de The Crew — ‘A Turma’, em português. Segundo a agência americana, a estrutura buscava obter informações confidenciais, monitorar adversários e executar ações de intimidação. A AP também relatou que Vorcaro teria planejado simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, do O Globo.
A Reuters destacou a suspeita de tentativa de suborno a um ex-diretor do Banco Central por meio de presentes — incluindo uma viagem à Disney. A agência também detalhou as invasões a sistemas sigilosos e golpes digitais para obtenção de informações privilegiadas.
A estrutura descrita pela imprensa estrangeira como inédita foi mapeada em detalhes pela Polícia Federal: espionagem a sistemas da Interpol, do Ministério Público e do FBI, propina a servidores do Banco Central e uma milícia privada operando a serviço do banqueiro.
El País e as ameaças a jornalistas
O espanhol El País foi o veículo que usou o termo ‘milícia privada’ para descrever a estrutura de Vorcaro, retratando o banqueiro como um ‘magnata cujos segredos estão abalando a classe política brasileira’. O jornal espanhol também citou a prisão de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como operador financeiro das fraudes.
As mensagens de WhatsApp em que Vorcaro teria ordenado ‘quebrar todos os dentes’ de Lauro Jardim — em um assalto forjado — foram divulgadas pela PF como parte do inquérito que embasou a prisão e amplamente citadas pela Reuters e pela AP em suas reportagens internacionais.
O caso reúne suspeitas de acesso indevido a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público, da Interpol e do FBI, suborno a agentes do Banco Central e ameaças a jornalistas — uma teia que mistura sistema financeiro, poder político e segurança institucional, agora sob escrutínio global.