A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou nesta quinta-feira (5), em Bangkok, que a economia mundial está “sendo testada mais uma vez” pelo conflito no Oriente Médio.
A guerra entre EUA, Israel e Irã entrou no sexto dia com escalada militar, pressão sobre o preço do petróleo e ameaça concreta de inflação no Brasil e no mundo.
Seis dias de conflito e ofensivas crescentes
O conflito teve início no sábado (28) com bombardeios dos Estados Unidos e de Israel em Teerã, que mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei e autoridades de alto escalão. Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.
Nesta quarta-feira (4), o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, assumiu a autoria de um ataque de submarino contra um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka. A ação deixou 87 mortos e 32 feridos e é considerada histórica: foi uma das poucas vezes em que um submarino afundou um navio desde a Segunda Guerra Mundial.
Desde o quarto dia de conflito, o petróleo já havia subido ao maior preço registrado desde 2024 — reflexo direto da instabilidade gerada pelos bombardeios em Teerã e pela incerteza sobre o futuro do regime iraniano. A escalada levou os EUA e Israel a bombardearem a sede do conselho responsável por eleger o novo líder supremo do Irã, aprofundando o vácuo de poder em Teerã.
Risco de inflação no Brasil e nos mercados globais
Economistas alertam que a chamada “mudança de preços relativos” — a alta simultânea do petróleo e do dólar — pode contaminar não apenas os preços correntes, mas também as projeções de mercado e da autoridade monetária para a inflação neste e nos próximos anos.
O risco ao abastecimento global de energia ganhou contornos concretos já nos primeiros dias do conflito: o Irã atacou com drones o petroleiro Athen Nova no Estreito de Ormuz — uma das rotas mais críticas para a exportação de petróleo no mundo. O episódio integra a cobertura sobre as sérias consequências prometidas pelo Irã após o assassinato de Khamenei por EUA e Israel.
Em coletiva de imprensa, Hegseth afirmou que as forças americanas detêm controle absoluto do conflito e que os EUA estão “vencendo a guerra”. O Pentágono prometeu novas ondas de bombardeios, o que deve manter a pressão nos mercados internacionais e a incerteza sobre os rumos do petróleo.